Fungo ameaça safras de café na América Central

Publicado em 30/08/2013 11:02
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Representantes da indústria do café na América Central informam que a safra de café arábica está sendo atingida por um surto de ferrugem, de acordo com o site da Reuters.

Pequenos produtores como Graciela Alvarenga, que tem uma área plantada de menos de 1 hectare, na região de El Paraíso, em Honduras, próximo à fronteira com a Nicarágua, foi tão atingida que agora ela usa as folhas e galhos de suas plantas de café como lenha.

“Acho que não irei produzir nada este ano”, conta Alvarenga. “Quase perdemos a fazenda inteira”. 

Um número crescente de produtores de café, como Alvarenga, dizem que suas lavouras estão sofrendo muito mais danos do que indicam as estimativas de suas associações. 

Enquanto a Organização Internacional do Café (ICO), em Londres, previu em março que a ferrugem do café iria cortar a produção regional em um quinto, um grupo de representantes da indústria do café consultados pela Reuters, em julho, previa uma queda de apenas 4,7%. 

“Existem muitos produtores dizendo que os danos serão menores do que o previsto”, disse Mauricio Galindo, líder da ICO. 

No ano passado, a doença atingiu todos os países produtores de café na América Central e no México, área que abriga 20% da produção de café arábica do mundo, ameaçando reduzir drasticamente a produtividade e as receitas de exportações que são muito necessárias para alguns dos países mais pobres do hemisfério. 

O café arábica é de uma qualidade superior ao café robusta, por isso é usado para fazer café expresso e especialidades gourmet. 

Produção se mantém no Brasil
Outro problema para os pequenos produtores da América Central são as expectativas de safras recordes de grandes produtores como o Brasil e o Vietnam, o que vem deixando os preços mais baixos. O preço do contrato futuro mais ativo para o arábica já caiu mais de 60% desde que atingiu o pico de 3 dólares por libra em 2011, enquanto os custos de produção sobem na América Central e no México.

"A ferrugem está nos prejudicando muito, mas o pior são os preços baixos”, conta Felipe Mendoza, produtor de uma área de dois hectares em El Paraíso.

No entanto, as autoridades locais informam que as perdas parecem ter se estabilizado devido a diminuição das chuvas, que promoveram o desenvolvimento da ferrugem, e devido ao uso eficiente de fungicidas. 

Na Nicarágua, por exemplo, 36% da produção de 126 mil hectares no país estão classificadas pelo Ministério da Agricultura como “contaminadas”. 

As informações são do site Reuters.com

Tradução: Fernanda Bellei

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Por: Notícias Agrícolas
Fonte: Reuters

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