Café: mercado recua com movimento de realização de lucros em NY

Publicado em 24/06/2014 11:01 593 exibições

O café arábica registra cotações em queda na manhã desta terça-feira(24) na Bolsa de Nova York. Por volta das 11h(Brasília) os contratos com vencimento em setembro/2014 operavam a 173,55 centavos de dólar por libra-peso, decréscimo de 385 pontos em relação ao fechamento anterior. 
Dezembro/2014 opera a 177,15 centavos de dólar por libra-peso com queda de 385 pontos.

Depois dos ganhos de ontem quando o mercado deu sequência às altas registradas na semana passada com apoio do relatório do Departamento 
de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que projetou uma queda de quase 1,5 milhão de sacas na produção mundial de café de 148,671 milhões de sacas de 60 quilos, ante 150,145 milhões de sacas da temporada anterior.

Aparentemente o mercado passa por um movimento de realização de lucros mas tem que brigar para se manter acima dos 172 centavos de dólar por libra peso, já que rompeu dois suportes importantes de 175 e 173,80 no vencimento setembro/14. Se tiver fôlego para romper os 172 centavos de dólar por libra peso pode cair ainda mais com as vendas automáticas.

Veja como fechou o mercado nesta última segunda-feira (23):

O analista de mercado Eduardo Carvalhaes afirma que os negócios estão mais lentos desde terça-feira (17) com o feriado e os jogos do Brasil. Além disso, a saída do contrato julho também podem ter influenciado as altas. “Esse período de Copa do Mundo tem sido um dificultador para o mercado físico”. 

Produção reduzida
As preocupações com a produção brasileira de café arábica voltaram a influenciar o mercado internacional, segundo a trader Sul-africana I&M Smith. Notícias de rendimento baixo e produção redizida de café de qualidade começam a confirmar as suspeitas de uma forte quebra de safra no Brasil.

Café mais alto para o consumidor final
Grandes fornecedoras de café no mercado norte-americano e multinacionais como J.M. Smucker, Kraft Foods e Starbucks anunciaram altas entre 8% e 9% nos preços do café vendido em supermercado e das bebidas servidas em cafeterias. “Essas notícias dão suporte aos sentimentos expeculativos na Bolsa de NY... Este movimento de altas são seguidos por outras grandes torrefadoras”.


Café: Produção mundial deve ter quebra de quase 1,5 milhão de sacas, aponta USDA
Por Talita Benegra

A produção mundial de café deve cair em 2014/2015. A informação foi dada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que projetou um total de 148,671 milhões de sacas de 60 quilos, ante 150,145 milhões de sacas da temporada anterior.

A quebra se dá principalmente por conta da diminuição da safra brasileira, que teve sérias dificuldades com a forte estiagem e altas temperaturas registradas no início do ano nas regiões de São Paulo e Minas Gerais – detentoras de 80% da produção nacional de café de qualidade do país, o arábica. Este deve ser o segundo ano consecutivo de baixa na produção brasileira, registrando a primeira quebra da bienalidade do café em 20 anos. A colheita deve ser 21% menor que a do último ano de safra cheia. 

Enquanto a safra brasileira dá indícios de baixas, a estimativa da produção da Colômbia e da América Central é otimista e deve compensar parte do mercado mundial de café arábica, que apresenta números recordes de exportação e de consumo. 

É esperada a produção de cerca de 49,5 milhões de sacas de café no Brasil, ante as 53, 7 milhões de sacas do período anterior. O Vietnã segue como segundo maior cultivador mundial com um volume recorde de 29,25 milhões de sacas. A Colômbia aparece na terceira posição com 12 milhões de sacas.

As exportações de café em grãos do Brasil poderão chegar a 29 milhões de sacas em 2014/2015, enquanto o consumo interno deve registrar 20,1 milhões de sacas. Os estoques do país da temporada 2014/2015 estão quase acabando, restando apenas cerca de 6,138 milhões de sacas, enquanto o estoque mundial deve apontar 32,116 milhões de sacas. 

Controle de café de qualidade
O presidente da Nestlé, Peter Brabeck, relatou ao jornal austríaco Kurier, que a empresa pretende aumentar a sua quota de compras de commodities diretos para garantir um controle maior de qualidade e de oferta. 

“O consumidor agora quer saber de onde o café da capsula Nespresso vem. Nos próximos anos, queremos dobrar a proporção de commodities e vamos comprar diretamente, não mais via traders, especialmente para o café e o cacau”, ele disse. 

“Isso não é por conta dos preços, mas devido à qualidade e maior rastreabilidade. Claro que também por conta da demanda atual dos consumidores nas mídias sociais”, acrescentou. 

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Notícias Agrícolas

1 comentário

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    A Nestlé está nas entrelinhas admitindo já a falta do produto com a desculpa de que vai verificar a qualidade do etc e tal...Corre logo, compra tudo que for oferecido, porque a matéria prima não vai dar pra encomenda!

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