Café: falta de oferta eleva cotações em quase 700 ponto em NY

Publicado em 31/07/2014 09:59 720 exibições

Manhã de grandes altas na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US) para o café arábica. As cotações desta quinta-feira (31) sobem quase 700 pontos. Os contratos com entrega para setembro trabalham às 9h47 (horário de Brasília) a 189,35 centavos de dólar por libra-peso. O vencimento dezembro vale 193,15 cents/libra-peso. Março/2015 anota 196,55 cents/libra-peso e maio/2015 registra 198,05 cents/libra-peso.

“Essa recuperação mais cedo do que o esperada é em função da falta de oferta no mercado”, analisou o corretor Marcelo Bueno, da Corsica Café, que ainda adicionou: “Apesar das altas, ainda estamos vulneráveis nas mãos dos especuladores”.

Terra Forte prevê safra em 45,78 milhões de sacas de 60kg

A falta de oferta preocupa também a exportadora Terra Forte que enviou carta aos clientes pedindo atenção aos possíveis resultados do volume da safra atual e da próxima. 

Veja o texto traduzido pelo site Notícias Agrícolas:

Os dados de precipitação de abril e maio foram muito comemorados, embora sejam meses que o volume total é bastante baixo. As chuvas acumuladas de Janeiro/2014 até junho/2014 foram os piores que vimos até agora. Apenas para mostras em números:

Chuvas acumuladas cerca de 1.050 milímetros - Jan / jun 2013 

Chuvas acumuladas cerca de 470 milímetros - Jan / jun 2014 

Destacamos que esse aspecto referido aos pés de café não são a chave para descobrirmos o tamanho do problema deste ano, aliás, é uma enorme armadilha para aqueles que não estão acostumados com as previsões de clima e colheita do Brasil. É um problema de fora para dentro. Nossos pensamentos estão lentamente voltados à confirmação dos relatos sobre o fraco rendimento do café.

Nós temos esperado pacientemente desde o nosso último relatório, a fim de dar informações confiáveis de nossas fazendas e agora podemos finalizar o nosso número. 

Considerando fazendas Terra Forte, entre as fazendas mais bem tratadas por todos os meios, temos detectada perda de 20% contra a nossa previsão feita antes da seca. 

Dito isto, estamos extrapolando esse número para 30% para o resto do Sul de Minas e Zona da Mata.

Por regiões, Cerrado é, de longe, o melhor, com uma perda de 10%. A região toda da Mogiana, em torno de 15%, a região Sul de Minas e Zona da Mata, com uma média de perda de 30%. 

Portanto, nosso número final para 14/15 sai para arábica-28.344.000, enquanto Conillon se mantém intacta em 17.440.00.

Primeira estimativa antes da seca: 53.700.000 sacas
Segunda estimativa (fevereiro): 47.400.000
Número final: 45.784.000

Veja tabela sobre a quebra por região:

 

2015/2016 PERSPECTIVAS

Gostaríamos de falar apenas fatos:

• Jan / Jun 2013 - chuvas acumuladas cerca de 1.050 milímetros

• Jan / Jun 2014 - chuvas acumulados cerca de 470 milímetros

• Neste momento, podemos averiguar as plantações que foram totalmente carregadas, simplesmente caindo aos pedaços e perdendo a maior parte de suas folhas. Em situação normal, os anos de safra baixa apresentam produção 25% menor, porém frente as atuais circunstâncias, essas baixas deverão ser maiores.

• plantações podadas que deveriam estar mais carregadas estão mostrando uma perda de 20% em crescimento vegetativo. Dependendo da região, algumas vezes 40%.

• Surpreendentemente, há maior incidência de ferrugem nas folha. É incomum para esta época do ano, especialmente porque normalmente ocorre durante a estação chuvosa. Talvez, devido ao estresse extremos que as plantações estão passando.

• Nós definitivamente não vamos dar qualquer palpite sobre os números para 15/16. Com base em nossos registros que prevêem uma floração muito forte devido ao estresse extremo das plantações. Situação que pode enganar o mercado novamente quando as imagens maravilhosas da floração começar a circular.

• Considerando todos os fatos acima, acreditamos que uma enorme percentagem de aborto nas flores aconteça.

• O que está claro para nós, é que as perspectivas não são boas e que seria necessário uma mudança extrema no padrão do clima para evitar novas interrupções.

 

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Por:
Talita Benegra
Fonte:
Notícias Agrícolas

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