CNC: Aumenta déficit hídrico em regiões cafeeiras de Minas Gerais

Publicado em 17/10/2014 16:19 227 exibições

CENÁRIO CLIMÁTICO — Nesta semana, a Fundação Procafé emitiu seus boletins mensais sobre importantes regiões produtoras de Minas Gerais. Segundo a instituição, as lavouras do Sul, do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro estão iniciando um novo ciclo fitossanitário da cultura, entre setembro de 2014 e agosto de 2015. Nesta condição, não se pôde observar, em setembro, o efeito climático do intervalo anterior, já que, em função do elevado déficit hídrico, os cafezais se apresentam com baixo enfolhamento e “murchamento”, prevendo-se significativas perdas para a safra nesse período que começa.

— Sul de MG: na principal região produtora de café do Brasil, as chuvas continuaram abaixo da média histórica no mês passado. Assim, as cidades de Varginha, Carmo de Minas e Boa Esperança aumentaram o déficit hídrico, alcançando 198 mm, 185 mm e 273 mm, respectivamente, o que conduz a uma projeção de perdas na colheita 2015. Esse cenário foi gerado pela escassez de chuvas e pela continuidade das temperaturas acima das médias históricas em setembro (gráfico abaixo).

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Diante desse contexto e caso as precipitações não retornem normalmente, a Fundação Procafé alerta aos produtores irrigantes que façam a irrigação para deixar a evapotranspiração acumulada do mês próxima a seus índices normais, de 75,0 mm.

— Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro: as chuvas ficaram muito abaixo da média nessas regiões em setembro, sendo intensificados ainda mais os déficits hídricos, que passaram para 127 mm, 146 mm e 162 mm em Araxá, Patrocínio e Araguari, respectivamente.

Com a continuidade da falta de precipitações, a Procafé aponta como imprescindível que os cafeicultores irrigantes, tanto os que adotam o estresse, quanto os que não adotam, iniciem o processo irrigatório nos cafezais, de forma que sejam alcançados níveis normais nas lavouras para garantir a florada e o posterior pegamento. A instituição de pesquisa alerta que o déficit hídrico continua elevado, já ultrapassando o limite de 150 mm em Araguari e ficando próximo deste valor crítico em Araxá e Patrocínio (gráfico abaixo).

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Para os produtores que utilizaram o déficit para a sincronização da florada, a Procafé recomenda que devem repor a caixa de água do solo, pois, em setembro, como as temperaturas se situaram acima da média histórica em Patrocínio e Araxá e dentro da média em Araguari, um erro no retorno das irrigações pode comprometer muito a próxima safra.

100º CUP OF EXCELLENCE — Nesta semana, acompanhamos a fase internacional do 100º Cup of Excellence no mundo, que corresponde à 15º edição do Cup of Excellence – Early Havest no Brasil, certame que seleciona os melhores cafés especiais produzidos por via úmida, os cerejas descascados e/ou despolpados. É notório o profissionalismo da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) — associada ao CNC — no transcorrer das etapas do principal concurso de qualidade no Brasil e no planeta, o qual realiza em parceria com a Alliance for Coffee Excellence (ACE), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Sebrae, e conta com o apoio institucional do Conselho Nacional do Café.

Por se tratar de uma ocasião especial, a 100ª edição teve a elite mundial dos profissionais de prova e classificação em seu júri internacional, composto por 25 juízes das Américas do Norte e Sul, Europa, Ásia e Oceania, além do acompanhamento de quase 10 profissionais de diversos veículos da imprensa global. As análises se encerraram nesta sexta-feira e os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimônia de premiação, que ocorrerá, na noite de hoje, em Viçosa (MG), onde transcorreu toda essa etapa final.

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O hedge judge Silvio Leite acompanha juízes internacionais na análise dos cafés.

CARBONO ZERO — Para esta edição especial do Cup of Excellence, a BSCA contou com o apoio da Universidade Federal de Viçosa e de uma iniciativa marcada pela mesma preocupação ambiental existente na produção dos cafés no Brasil. Através do projeto “Carbono Zero”, coordenado pelo Departamento de Engenharia Florestal da UFV, foram plantadas 89 árvores de espécies nativas em áreas que se encontram em recuperação ambiental e nas propriedades rurais de produtores parceiros da Universidade para que se faça a compensação de toda a emissão de gás carbônico gerado pelo 100º Cup of Excellence.

Essa edição especial do evento contou, ainda, com diversas novidades em sua programação, as quais envolveram uma apresentação do programa Carbono Zero da UFV, visitas ao museu e aos laboratórios de pesquisa da Universidade e às fazendas produtoras de cafés especiais Serra do Boné, Pedra Redonda e Braúna, em Araponga (MG). Além disso, foram realizados workshops sobre o sistema de produção de cafés especiais no Brasil, o mercado consumidor e também "Cuppers and Coffee Grower", este último ministrado pelo professor Flávio Meira Borém, do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (Ufla).

MERCADO — O pessimismo em relação ao cenário macroeconômico mundial reduziu o interesse dos investidores nas commodities nesta semana, resultando em pressão negativa também nos preços futuros do café.

As persistentes dificuldades econômicas na Zona do Euro e no Japão, o fraco desempenho das principais economias emergentes, com destaque para a China, além dos conflitos internacionais no Oriente Médio e Ucrânia aumentaram a percepção de risco dos agentes de mercado quanto a uma provável desaceleração da economia mundial.

Esse comportamento foi agravado na quarta-feira com a divulgação de estatísticas que mostravam discreta redução das vendas no varejo e nos preços do atacado dos Estados Unidos no mês de setembro.

A onda de pessimismo levou à fuga dos investimentos em commodities, pressionando também as cotações do café. No entanto, como a falta de chuvas nas regiões produtoras brasileiras persiste, não houve alteração nos fundamentos de mercado do arábica, amortecendo o impacto dos temores relativos ao baixo crescimento global.

De acordo com a Somar Meteorologia, os modelos atmosféricos indicam que somente ocorrerão chuvas mais significativas em áreas produtoras de café do Brasil após o dia 23 de outubro.

Diante desse cenário, o vencimento dezembro do Contrato C, negociado na Bolsa de Nova York, encerrou a sessão de quinta-feira a US$ 2,171 por libra-peso, acumulando perdas de 330 pontos na semana.

Os futuros do café robusta, negociados na ICE Futures Europe, também apresentaram tendência de queda. O vencimento janeiro/2015 foi cotado, ontem, a US$ 2.154 por tonelada, representando desvalorização de US$ 22 em relação ao fechamento da última sexta.

No Brasil, o dólar subiu nesta semana, influenciado pelas especulações do período eleitoral e pelo cenário macroeconômico externo. Ontem, o dólar comercial foi cotado a R$ 2,4645, acumulando alta de 1,7% frente à sexta-feira passada.

No mercado físico nacional, o ritmo dos negócios foi predominantemente fraco, com os vendedores aguardando novas valorizações. Os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon foram cotados, na quinta-feira, a R$ 508,38/saca e a R$ 266,86/saca, respectivamente, com variação de 0,3% e -0,6% no acumulado da semana.

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Fonte:
CNC

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