Café: Após altas e baixas, Bolsa de Nova York fecha primeira sessão do ano com avanço próximo de 30 pts

Publicado em 03/01/2017 16:45
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Após oscilarem dos dois lados da tabela durante a sessão desta terça-feira (3), as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) acabaram fechando o dia com alta próxima de 30 pontos apoiada por recompras de fundos. Com isso, os principais vencimentos ficaram mais próximos do patamar de US$ 1,40 por libra-peso. Ainda assim, do lado baixista, continua dando pressão ao mercado as chances cada vez menores de desabastecimento do grão neste ano por conta das melhores condições climáticas no cinturão produtivo do Brasil.

Com essa alta técnica na primeira sessão do ano, o contrato março/17 fechou o pregão cotado a 137,40 cents/lb com 35 pontos de alta, o maio/17 anotou 139,70 cents/lb com 30 pontos de valorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 142,00 cents/lb com 30 pontos de valorização e o setembro/17, mais distante, subiu 25 pontos, cotado a 143,95 cents/lb.

De acordo com o analista de mercado da Origem Corretora, Anilton Machado, os futuros do arábica no terminal externo trabalham basicamente em fatores técnicos no pregão desta terça-feira, mas seguem acompanhando as informações recentes sobre a oferta. "O mercado está muito técnico. A primeira sessão do ano manteve o perfil de poucos negócios, algo tradicional, já que os participantes ainda estão num movimento de regresso das atividades de final de ano. No pregão, os parâmetros observados ao final de 2016 foram mantidos", afirma.

O café arábica, negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), fechou o ano de 2016 com alta de 8,2% no primeiro contrato, fechando a US$ 1,371 dólar por libra-peso. Foi o melhor desempenho anual em dois anos.

Após os preços externos do arábica na ICE avançarem pela manhã na ICE, eles tiveram alguns momentos de baixos com os fatores fundamentais de mercado ditando as negociações. "Sem maior força para buscar os 140,00 cents/lb, as vendas passaram a ser registradas e o terminal inverteu a tendência, com as baixas a mínima do dia chegou a R$ 134,40 cents/lb", diz.

Do lado fundamental, a pressão segue baixista para o mercado do café arábica com os operadores otimistas com a próxima safra do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo, e outras origens produtoras. Algumas corretoras, inclusive, já apontam superávit global do grão no próximo ano. O setor produtivo do Brasil não acredita nisso por conta da bienalidade negativa das plantações na maior parte do cinturão produtivo.

A Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), maior do mundo, estima queda na produção de café do Brasil em 2017 em cerca de 17%. "Estamos prevendo uma safra menor neste ano por conta da bienalidade baixa das lavouras na maioria das regiões produtoras de café arábica. O conilon também não se recuperou das perdas recentes, então em 2017 esse problema de desabastecimento será ainda maior", pondera Paulino. A produção na área de abrangência da cooperativa em 2016 foi de 20 milhões de sacas.

Mercado interno

Os negócios com café voltam aos poucos ao normal nas praças de comercialização do Brasil após as festas de final de ano. Ainda assim, o produtor segue resistente à venda pelos atuais patamares ofertados no país. "Acredito que o mercado interno só deve voltar a ter mais forças com a volta do patamar de R$ 500,00 a saca", afirma Anilton Machado.

Segundo colaboradores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), as diferenças entre os preços ofertados e pedidos nos últimos dias têm limitado as negociações, que, em alguns casos, passam de R$ 50,00 a saca de 60 kg.

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação no dia em Varginha (MG) com R$ 530,00 a saca – estável. Nenhuma praça teve variação no dia.

O tipo 4/5 anotou maior valor em Guaxupé (MG) com 520,00 a saca – estável. A maior dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com alta de 1,04%.

O tipo 6 duro teve maior valor de negociação no dia em Patrocínio (MG) com R$ 500,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia para o tipo ocorreu em Poços de Caldas (MG) com recuo de 0,42% e saca a R$ 472,00.

Na segunda-feira (2), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 481,58 com queda de 0,84%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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