Café: Bolsa de Nova York tem alta acumulada de mais de 4% na semana após testar mínimas de seis meses

Publicado em 06/01/2017 16:56
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Mesmo em uma semana mais curta e de baixo volume de negócios por conta das festas de final de ano, o mercado do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) registrou valorização. O vencimento março/17, referência de mercado, avançou mais de 4% no acumulado da semana. Os preços externos da variedade realizaram ajustes técnicos nos últimos dias após testar mínimas de mais de seis meses no fim de 2016, os fundos de investimento também voltaram a atuar no mercado e as oscilações do câmbio contribuíram para a valorização.

Diante dessa alta acumulada ao longo da semana, mesmo com a queda registrada nesta sexta-feira, o mercado retomou o patamar de US$ 1,45 por libra-peso. O contrato março/17 fechou o pregão cotado a 142,85 cents/lb com 90 pontos de queda, o maio/17 anotou 145,15 cents/lb também com 90 pontos de desvalorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 147,45 cents/lb com 85 pontos de baixa e o setembro/17, mais distante, caiu 85 pontos, cotado a 149,50 cents/lb.

"As cotações passaram nesta sexta-feira por um processo de acomodação depois da puxada que registraram recentemente. Agora, são corrigidos alguns exageros. Mas o mercado segue, fundamentalmente, sem novidades e à espera de informações sobre a safra brasileira", afirma o analista de mercado da Safras & Mercado, Gil Carlos Barabach. Na véspera, as cotações futuras do arábica subiram cerca de 200 pontos.

As informações sobre a safra desse ano do Brasil segue ditando as negociações externas e repercutindo entre os operadores. Alguns acreditam que as melhores condições climáticas no fim de 2016 devem contribuir para minimizar os efeitos da bienalidade negativa. Segundo reporte recente do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP) nesta quarta-feira, o clima tem sido favorável, mas a bienalidade negativa deve resultar em menor produção de café na temporada brasileira 2017/18, com isso os preços devem se manter firmes ao longo do ano.

A Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), maior do mundo, estima queda na produção de café do Brasil em 2017 em cerca de 17%. "Estamos prevendo uma safra menor neste ano por conta da bienalidade baixa das lavouras na maioria das regiões produtoras de café arábica. O conilon também não se recuperou das perdas recentes, então em 2017 esse problema de desabastecimento será ainda maior", explicou o presidente da cooperativa, Carlos Paulino. A produção na área de abrangência da cooperativa em 2016 foi de 20 milhões de sacas.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que o Brasil fechou o ano de 2016 com produção recorde de café, foram 51,37 milhões de sacas entre arábica e conilon, variedade brasileira do robusta.

Do lado altista, deu suporte aos preços do arábica na ICE durante toda a semana a volta dos fundos de investimento e os ajustes técnicos depois de os preços testarem mínimas de seis meses. "O mercado deu sequência à recuperação dos últimos dias com a retomada do interesse dos fundos de investimento. Além disso, as cotações também testaram recentemente importantes suportes e isso pode ter ocasionado uma reversão de tendência", explicou o especialista em café da INTL FCStone Brasil, Thiago Ferreira, em referência ao fechamento da última quinta-feira (5). Na quarta, as cotações do arábica atingiram o patamar mais alto desde 22 de dezembro.

As oscilações no câmbio também contribuíram para o avanço nas cotações do arábica durante a semana. Após cair forte nos últimos dias, o dólar comercial fechou a sessão desta sexta-feira com alta de 0,74%, cotado a R$ 3,2218 na venda, após três quedas seguidas. Na semana, a moeda acumulou queda de 0,86% sobre o real. As oscilações na moeda estrangeira impactam diretamente as exportações da commodity e, consequentemente, os preços internos e externos do grão. O dólar mais baixo desencoraja as embarques e pode contribuir para um ajuste na oferta global de café.

Informação reportada pela Reuters, com base em levantamento da OIC (Organização internacional do Café), aponta que as exportações globais de café subiram 13,6% em novembro ante o mesmo mês do ano anterior e totalizaram 9,94 milhões de sacas. Os embarques de robusta foram 24,9% mais altos e os de arábica em novembro avançaram 7,9%.

» Exportações globais de café sobem 13,6% em novembro, diz OIC

Mercado interno

No mercado físico, seguiram isolados os negócios com café nas praças principais praças de comercialização do país. Diante das recentes altas externas, os preços dos tipos mais negociados já estão próximos R$ 500,00 a saca, patamar considerado interessante para o produtor. "Apesar do preço atrativo, são registrados poucos negócios no Brasil. Muitos produtores já venderam seus cafés em momentos de preços mais altos do que isso", afirma Thiago Ferreira.

» Café: Preços no Brasil retomam patamar de R$ 500 a saca, mas negócios ainda seguem limitados, aponta analista da FCStone

Segundo reporte do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP) nesta quarta-feira, o clima tem sido favorável, mas a bienalidade negativa deve resultar em menor produção de café na temporada brasileira 2017/18, com isso os preços devem se manter firmes ao longo do ano.

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação no dia em Espírito Santo do Pinhal (SP) com R$ 560,00 a saca – estável. A maior variação no dia ocorreu em Varginha (MG) com alta de 1,89% e saca a R$ 540,00.

O tipo 4/5 anotou maior valor em Guaxupé (MG) com 546,00 a saca – estável. A maior variação no dia dentre as praças ocorreu em Varginha (MG) com alta de 1,96% e R$ 520,00 a saca.

O tipo 6 duro teve maior valor de negociação no dia em Varginha (MG) com R$ 515,00 a saca e alta de 1,98%. A maior oscilação no dia para o tipo ocorreu na Média Rio Grande do Sul com avanço de 3,06% e saca a R$ 505,00.

Na quinta-feira (5), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 501,39 com alta de 1,96%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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