Café: Mercado global enfrenta escassez liderada pelo robusta; empresas americanas sobem preços no varejo

Publicado em 18/01/2017 10:07
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Estima-se que a escassez na oferta do mercado mundial de café continue pelo terceiro ano consecutivo devido à produção de robusta, grão de qualidade inferior, que caiu para um patamar não visto desde 2012.

A OIC (Organização Internacional do Café) prevê uma escassez do grão de 3,5 milhões de sacas de 60 kg a partir de outubro, com produção de 151,6 milhões de sacas e consumo em 155,1 milhões de sacas. Isso apesar da produção recorde de café arábica, grão considerado de melhor qualidade, graças às colheitas expressivas no Brasil, Colômbia e Honduras.

Paralelamente, as perspectivas para a oferta de robusta são "menos positivas, com safras menores do que o esperado na maioria das origens", disse a OIC.

As previsões de um mercado mais apertado de robusta neste ano têm feito com que fabricantes de café e varejistas enfrentem um declínio nas margens de lucro devido ao aumento dos custos. Os grãos robusta são transformados, essencialmente, em café instantâneo ou misturados com arábica para adicionar mais sabor, assim como abaixar os custos totais na produção.

A JM Smucker, fabricante líder de café nos EUA, disse nesta semana que iria aumentar em média 6% os preços dos cafés embalados das marcas Folgers, Dunkin' Donuts e Café Bustelo. A companhia disse que o aumento não abrange os produtos à venda nos restaurantes da Dunkin' Donuts.

A produção de café robusta foi prejudicada no ano passado por uma severa seca no Brasil, Vietnã e Indonésia devido ao fenômeno climático El Niño. Como resultado, espera-se que a produção mundial da variedade caia para o nível mais baixo desde a temporada 2012/13.

Os preços da variedade estão 43% mais elevados do que no início de 2016, negociados a US$ 2,90 por tonelada. O rally no robusta também apoiou os preços do arábica em meados de 2016, embora as indicações de oferta abundante no final do ano reduziram os lucros.

"Perspectivas para uma recuperação na produção brasileira em 2017 são escassas" para o robusta, segundo Carlos Mera, analista do Rabobank.

A oferta de robusta continua a ser escassa, enquanto o arábica permanece em abundância. Os analistas esperam que a diferença de preço entre os dois grãos possa estreitar. Conhecida como "arbitragem" por analistas e comerciantes, a diferença de preço entre os dois grãos caiu cerca de 13% desde o início de 2016.

Se a diferença de preço estreitar ainda mais, é provável que seja vista uma migração no uso do café, com mais torradores de café e varejistas reduzindo a quantidade de robusta, e aumentando a participação do grão arábica.

O Rabobank espera "uma grande redução na participação de robusta" entre os importadores, representando 35,1% do mercado global em 2016/17, ante 35,6% e 34% em 2017/18.

Tradução: Jhonatas Simião

Fonte: CNBC

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