Café: Sem forças para ir além de US$ 1,50/lb, Bolsa de Nova York recua cerca de 50 pts nesta 4ª feira

Publicado em 18/01/2017 16:33
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O mercado do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fechou com queda de cerca de 50 pontos nesta quarta-feira (18) acompanhando mais o câmbio e realizando ajustes técnicos. Ao que parece, o mercado não ter forças para avançar muito acima do patamar de US$ 1,50 por libra-peso, apesar dos fundamentos altistas recentes, principalmente as informações sobre o clima nas principais origens do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo.

Apesar da queda, as cotações seguem próximas de US$ 1,50/lb e US$ 1,55/lb nos lotes com vencimento mais distante. O vencimento março/17 registrou na sessão de hoje 149,20 cents/lb com 70 pontos de queda, o maio/17 anotou 151,55 cents/lb com 75 pontos de desvalorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 153,90 cents/lb com 70 pontos de avanço e o setembro/17, mais distante, também recuou 70 pontos, cotado a 156,10 cents/lb.

"Com relação às bolsas internacionais mais do mesmo prevalece, ou seja, tanto Londres como Nova York operam em estreitas margens muito mais de olho na oscilação cambial e na posse de Donald Trump na sexta-feira, nos Estados Unidos, do que qualquer outra coisa no quadro fundamental.  A safra do Vietnã, Colômbia e centrais estão entrando no mercado sem grandes atropelos e o Brasil está sem grandes ofertas no mercado internacional, indicando claramente que o mercado já está em linha, precificado dentro das possibilidades de curto prazo", afirma o analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães.

Após recuar mais de 1% na véspera, o dólar comercial voltou a subir nesta quarta-feira e pressiona os preços externos do café. A divisa encerrou o dia com alta de 0,20%, cotada a R$ 3,2314 na venda, com os operadores repercutindo as oscilações da moeda no exterior e a expectativa do discurso da presidente do Fed (Federal Reserve), Janet Yellen. As oscilações do dólar impactam diretamente nas exportações e podem contribuir para um ajuste na oferta global de café.

Do lado altista, segue dando suporte ao mercado as informações climáticas no cinturão produtivo do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo. "A seca continua sendo uma ampla preocupação ao redor de grande parte do cinturão cafeeiro", disse o serviço de meteorologia MDA Information Systems em reportagem da agência de notícias Reuters no fim da semana passada.

O clima deu sinais de melhora neste início de semana em áreas de Minas Gerais e São Paulo. Mas, segundo mapas climáticos, o clima deve continuar seco e quente na Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Espírito Santo e Bahia no decorrer da semana.  "A seca continua sendo uma ampla preocupação ao redor de grande parte do cinturão cafeeiro", disse o serviço de meteorologia MDA Information Systems em reportagem da agência de notícias Reuters no fim da semana passada.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a safra desse ano do Brasil fique entre 43,65 e 47,51 milhões de sacas de 60 kg do produto beneficiado, somadas as espécies arábica e conilon. Os números são do primeiro levantamento da safra atual e representam uma redução entre 15 e 7,5%, quando comparado com a produção de 51,37 milhões de sacas do ciclo anterior.

Mercado interno

Os negócios com café nas praças de comercialização do Brasil seguem lentos mesmo com os preços consolidando o patamar de R$ 500,00 a saca. Segundo analistas, muitos produtores conseguiram realizar negócios em 2016 com preços em até R$ 600,00 e agora estão retraídos à espera de melhores oportunidades. "Estamos em um momento em que o cafeicultor só volta ao mercado nos momentos de alta ou quando precisa fazer caixa", afirmou o analista de café do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP), Renato Garcia Ribeiro.

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação no dia em Guaxupé (MG) com R$ 572,00 a saca e alta de 0,88%. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) que teve recuo de 1,41% e saca cotada a R$ 561,00.

O tipo 4/5 anotou maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com 587,00 a saca e alta de 0,86%. A maior variação no dia dentre as praças aconteceu em Varginha (MG) com alta de 5,09% e saca a R$ 557,00.

O tipo 6 duro teve maior valor de negociação no dia em Franca (SP)  com saca a R$ 540,00 – estável. A maior oscilação dentre as praças no dia ocorreu em Varginha (MG) que teve alta de 2,29% e saca a R$ 537,00.

Na terça-feira (17), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 519,18 com alta de 0,80%.

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Por:
Jhonatas Simião
Fonte:
Notícias Agrícolas

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