Café: Cotações do arábica em NY testam patamar de US$ 1,60/lb apoiadas por avanço de mais de 2% na semana

Publicado em 20/01/2017 17:14 e atualizado em 21/01/2017 11:40
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A semana foi mais curta no mercado do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) por conta do ferido de Martin Luther King Jr. na segunda. Ainda assim, a valorização prevaleceu, mais de 2%, e os vencimentos mais distantes encerraram esta sexta-feira (20) já próximos do patamar de US$ 1,60 por libra-peso. Máximas de 8 semanas. As cotações oscilaram durante a semana muito mais baseadas no câmbio e em indicadores técnicos do que qualquer coisa. Porém, o clima nas principais origens produtoras do Brasil segue repercutindo entre os operadores.

Após tentar avançar acima de US$ 1,50/lb durante toda a semana, sem sucesso, o mercado teve forte suporte do câmbio diante do cenário político no Brasil e no mundo e, e as cotações mais distantes já estão conquistaram o patamar de 1,60/lb. Nesta sexta-feira (20), o contrato março/17 registrou 153,35 cents/lb com 260 pontos de alta, o maio/17 anotou 155,55 cents/lb com 240 pontos de valorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 157,85 cents/lb com 240 pontos de alta e o setembro/17, mais distante, avançou 245 pontos, cotado a 160,10 cents/lb.

De acordo com o analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães, as bolsas externas do café operaram em alta nesta sexta-feira e acima de suportes interessantes. "Ao que parece, o dólar ficará abaixo dos R$ 3,20 e, lembrando, se subir um pouco, Nova York também realiza um pouco. Nos últimos dias o mercado só trabalhou baseado no fator cambial", explica. "Tecnicamente os fechamentos externos podem ser considerados construtivos", disse o analista.

O dólar comercial encerrou a sessão desta sexta com queda de 0,55%, cotado a R$ 3,1825 na venda. O mercado repercutiu o recuo da moeda no exterior com investidores acompanhando o discurso sem novidades de Donald Trump. Na semana, a queda acumulada da divisa foi de 0,55%. A moeda estrangeira mais baixa que o real tende a desencorajar as exportações da commodity e faz com que os preços externos do grão avancem no terminais externos. O Brasil é o maior produtor e exportador da commodity no mundo.

Também deu suporte ao mercado ao longo da semana, em menor intensidade, as informações climáticas no cinturão produtivo do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo. O clima deu sinais de melhora nos últimos dias em áreas de Minas Gerais e São Paulo. Mas, segundo mapas climáticos, deve continuar seco e quente na Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Espírito Santo e Bahia no decorrer da semana. Uma queda na produtividade do país neste momento pode trazer um expressivo desequilíbrio entre oferta e demanda.

"A seca continua sendo uma ampla preocupação ao redor de grande parte do cinturão cafeeiro", disse o serviço de meteorologia MDA Information Systems em reportagem da agência de notícias Reuters.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou nesta semana que a safra desse ano do Brasil fique entre 43,65 e 47,51 milhões de sacas de 60 kg do produto beneficiado, somadas as espécies arábica e conilon. Os números são do primeiro levantamento da safra atual e representam uma redução entre 15 e 7,5%, quando comparado com a produção de 51,37 milhões de sacas do ciclo anterior.

Já a exportadora Terra Forte estima a produção de café do Brasil na safra 2017/18 em 48,055 milhões de sacas de 60 kg, com uma queda de 11,7% na comparação com a temporada anterior, principalmente devido à bienalidade negativa do arábica e menor produção de robusta. A Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), maior do mundo, estima queda na produção de café do Brasil em 2017 em cerca de 17%. Em 2016, foram 51,37 milhões de sacas colhidas no país entre arábica e conilon, variedade brasileira do robusta.

A Colômbia estimou à Reuters nesta quinta que prevê produção de café em 2017 deverá somar 14,5 milhões de sacas de 60 kg, maior volume em mais de duas décadas. Em 2016, o país teve colheita de 14,2 milhões de sacas.

Mercado interno

Nas praças de comercialização do Brasil, os preços dos tipos mais negociados subiram seguindo as oscilações externas. Porém, o produtor brasileiro ainda segue reticente à venda e saem apenas negócios isolados, mesmo com os preços chegando acima de R$ 500,00 a saca. "Impulsionados pela valorização no mercado externo, os preços internos do café arábica reagiram", reportou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP).

"Os produtores conseguiram ajustar suas contas, então mais tranquilos em fazerem negócios. Estamos em um momento em que o cafeicultor só volta ao mercado nos momentos de alta ou entanto quando precisa fazer caixa", afirmou no início da semana o analista de café do Cepea, Renato Garcia Ribeiro.

O Governo brasileiro informou na quinta (19) que aprovou a venda de até 720 mil sacas de 60 kg de seus estoques públicos. Os leilões serão realizados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A primeira venda acontece já na próxima quinta-feira (26), totalizando 95 mil sacas da safra 2009/10.

» Café: Conab oferta em leilão na próxima quinta-feira (26) cerca de 95 mil sacas da safra 2009/10

O tipo cereja descascado anotou maior alta na semana em Patrocínio (MG) com avanço de 4,20% (+ R$ 23,00), encerrando a R$ 571,00 a saca até quinta-feira. O maior valor de negociação dentre as praças no período foi registrado em Franca (SP) com saca a R$ 590,00.

No tipo 4/5, a maior variação na semana foi registrada em Poços de Caldas (MG) com valorização de 5,01% (+ R$ 26,00) e saca a R$ 545,00. Em Guaxupé (MG), foi registrado o maior valor na semana com R$ 583,00 e avanço de 1,57% (+ R$ 9,00).

Para o tipo 6 duro, o maior avanço na semana ocorreu em Poços de Caldas (MG) com alta de 5,14% (+ R$ 26,00) e saca cotada a R$ 532,00. Em Franca (SP), foi registrado o maior valor da saca com R$ 550,00 e alta de 1,85% (+ R$ 10,00).

Na quinta-feira (19), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 521,97 com alta de 0,49%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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