Café: Bolsa de Nova York demonstra fraqueza para avançar acima de US$ 1,60/lb e recua 300 pts nesta 3ª

Publicado em 24/01/2017 17:32
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As cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam a sessão desta terça-feira (24) com queda próxima de 300 pontos após demonstrarem fraqueza técnica para avançar acima do patamar de US$ 1,60 por libra-peso. Ainda assim, os operadores no terminal externo seguem atentos ao câmbio – que impacta nas exportações da commodity – e as informações sobre o clima no cinturão produtivo do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo.

O contrato março/17, referência para os negócios, registrou na sessão de hoje 152,35 cents/lb com 305 pontos de queda, o maio/17 anotou 154,80 cents/lb com 300 pontos de desvalorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 157,10 cents/lb também com 300 pontos de queda e o setembro/17, mais distante, recuou 295 pontos, cotado a 159,38 cents/lb. O mercado consolidou ontem (23) a terceira alta seguida.

Esse movimento de ajuste, segundo agências internacionais, é normal uma vez que as cotações da variedade avançaram forte nos últimos dias, ficando acima de US$ 1,60/lb nos vencimentos mais distantes. "Durante o pregão, as cotações chegaram a trabalhar em alta atingindo a máxima de 156,95 cents/lb no março/17 com alta de 155 pontos, porém a realização de lucros por parte de fundos e especuladores reverteram esse movimento levando os preços para o campo negativo", afirma o analista de mercado da Origem Corretora, Anilton Machado.

Até o início da tarde, o câmbio contribuía para a valorização nas cotações, mas também virou diante das oscilações da moeda no exterior e fechou praticamente estável com avanço de 0,09%, cotado a R$ 3,1688 na venda. A moeda estrangeira mais baixa que o real tende a desencorajar as exportações da commodity e faz com que os preços externos do grão avancem. O Brasil é o maior produtor e exportador da commodity no mundo.

"O mercado está indefinido. Chegou num patamar em que aguarda novidades que justifiquem tomar uma posição", disse à agência de notícias Reuters o operador da corretora Spinelli, José Carlos Amado.

Analistas estimavam que a tendência para o mercado do café era altista para firme, com os fundos de investimento apostando na valorização das cotações. Depois de diluírem seus lotes no início de janeiro, os fundos tinha saldo líquido comprado de mais de 18 mil lotes na última terça-feira, segundo mostrou o relatório da CFTC (Comissão de Comércio de Futuros de Commodities).

Apesar da queda, os operadores no terminal externo também seguem atentos às informações sobre o clima no cinturão produtivo do Brasil. A semana começou com bons volumes de chuva nos estados do Paraná e São Paulo, também há previsão de instabilidades em algumas áreas do sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro. Na Bahia, Espírito Santo e leste de Minas Gerais, o tempo deve continuar seco e quente por pelo menos cinco dias.

Mercado interno

Os negócios com café nas praças de comercialização do Brasil seguem isolados ainda que as cotações da variedade estejam próximas ou até acima do patamar de R$ 500,00 a saca. "Impulsionados pela valorização no mercado externo, os preços internos do café arábica reagiram", reportou na semana passada o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP). Os cafeicultores brasileiros esperam patamares mais altos.

O site internacional Agrimoney destacou que a produção de café do Brasil neste ano pode atingir níveis de quando as lavouras foram afetadas pela seca em 2015, totalizando colheita entre 43,7 milhões a 47,5 milhões de sacas de 60 kg.

» Produção de café do Brasil neste ano pode cair a níveis próximos da seca de 2015, destaca Agrimoney

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação no dia em Poços de Caldas (MG) com R$ 594,00 a saca e recuo de 2,62%. A maior oscilação no dia dentre as praças.

O tipo 4/5 anotou maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com 583,00 a saca e desvalorização de 1,69%. A maior variação no dia dentre as praças aconteceu em Franca (SP) com desvalorização de 1,72% e saca a R$ 570,00.

O tipo 6 duro teve maior valor de negociação no dia em Franca (SP)  com saca a R$ 550,00 e recuo de 1,79%. A maior oscilação dentre as praças ocorreu em Guaxupé (MG) que teve baixa de 1,83% e saca a R$ 536,00.

Na segunda-feira (23), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 530,42 com alta de 0,96%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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