Café: Bolsa de Nova York cai mais de 600 pts nesta 5ª antes do feriado no Brasil com liquidações

Publicado em 20/04/2017 18:08 e atualizado em 20/04/2017 23:21
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Os contratos futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) despencaram mais de 600 pontos nesta quinta-feira (20) e estenderam as perdas registradas na véspera com liquidações dos fundos. Os investidores ajustam posições antes do feriado no Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo, mas os preços externos do grão também realizam ajustes técnicos depois de se aproximarem do patamar de US$ 1,50 por libra-peso nos últimos dias diante das altas recentes.

O contrato maio/17 fechou a sessão cotado a 131,65 cents/lb com queda de 635 pontos, o julho/17, referência de mercado, registrou 134,30 cents/lb também com recuo de 635 pontos. Já o vencimento setembro/17 encerrou o dia com 136,70 cents/lb e desvalorização de 630 pontos e o dezembro/17, mais distante, caiu 620 pontos, fechando a 140,25 cents/lb. É o menor patamar para uma segunda posição desde junho de 2016.

Mercado do café NY - 20/04

Gráfico do mercado do café na Bolsa de Nova York nesta 5ª feira - Fonte: Investing

O mercado do arábica consolida as perdas da véspera em ajustes técnicos após nas últimas sessões ter suporte das informações sobre a produção de café no Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo. A importadora de café Wolthers Douque fez uma rota por lavouras do país e várias cooperativas e concluiu que a produção coloca o mercado em uma situação delicada, com colheita em cerca de 48 a 49 milhões de sacas de 60 kg.

"O fundamental continua jogando contra os preços. E embora as indicações de déficit na oferta em 2017/18 preocupem, o bom fluxo no curto prazo continua influenciando negativamente as cotações. A proximidade da safra brasileira também ajuda a limitar os ganhos na ICE (Bolsa de NY)", afirma o analista de mercado da Safras & Mercado, Gil Carlos Barabach.

Além disso, pesou bastante durante a sessão de hoje um processo de liquidação dos fundos. As informações são da Reuters. Comerciantes disseram à agência durante o dia que os "sell-stops" foram desencadeados depois que o mercado chegou ao suporte em torno de US$ 1,3855/lb e depois US$ 1,352/lb. Essa é a segunda queda seguida nas cotações do arábica após os principais vencimentos testarem nos últimos dias o patamar de US$ 1,50/lb.

Na véspera, o arábica recuou acompanhando um certo volume de liquidações, mas também sentiu a pressão do petróleo e do câmbio, que impacta diretamente nas exportações da commodity. Nesta quinta, o dólar comercial fechou com queda de 0,32%, cotado a  R$ 3,1574 na venda e também contribuiu de certa forma para a queda no mercado. O dólar mais alto em relação ao real tende a dar maior competitividade às exportações da commodity.

De acordo com a trader sul-africana I&M Smith, a queda nos preços do arábica deve desencorajar os torrefadores a aumentar o uso do robusta. "Esta arbitragem está estreitando e se tornando um fator menor interesse para os torrefadores que consideram o café robusta como componente de desconto oportunista em suas misturas", disse.

Mercado interno

As negociações com café seguem lentas nas praças de comercialização do Brasil. Os preços internos do grão registraram oscilação mais expressiva nesta quinta acompanhando a forte desvalorização externa, mas ainda são vistas algumas cotações nominais. A colheita do café nas principais regiões produtoras do país começa do final de maio para junho.

Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), a liquidez é baixa no arábica com a disparidade entre vendedores e compradores restringindo maiores quantidades comercializadas.

Devido ao feriado nacional de Tiradentes nesta sexta-fera (21), as praças de comercialização do país não funcionam.

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP) com saca cotada a R$ 500,00 a saca e queda de 3,85%. A maior oscilação no dia ocorreu em Guaxupé (MG) com queda de 3,94% e R$ 488,00 a saca.

O tipo 4/5 anotou maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com 522,00 a saca e queda de 3,69%. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Franca (SP) que teve baixa de 4,08% e saca a R$ 470,00.

O tipo 6 duro anotou maior valor de negociação no Oeste da Bahia com saca a R$ 485,00 – estável. A cidade de Espírito Santo do Pinhal (SP) teve a maior variação dentre as praças com queda de 4,26% e saca a R$ 450,00.

Na q uarta-feira (19), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 468,37 e queda de 2,27%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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