Café arábica tem perdas expressivas em NY e maio/19 cai para níveis de 2004

Publicado em 17/04/2019 17:07
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As cotações futuras do café arábica encerraram a sessão desta quarta-feira (17) com queda de mais de 300 pontos na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O mercado acompanha a valorização do dólar ante o real e oferta global. Com a perda, os primeiros vencimentos caíram abaixo de 90 cents/lb.

O vencimento maio/19 encerrou a sessão com queda de 345 pontos, a 87,05 cents/lb e o julho/19 anotou 89,65 cents/lb com 330 pontos de desvalorização. Já os lotes para setembro/19 perderam 330 pontos, cotados a 92,25 cents/lb e o dezembro/19 registrou 96,15 cents/lb com perdas de 330 pontos.

Os futuros do arábica oscilaram entre máxima de 90,80 cents/lb e mínima de 86,53 cents/lb, segundo o site de cotações Investing. Essa é a segunda sessão seguida de perdas no terminal com atenção ao câmbio e informações fundamentais, o que já faz o mercado voltar aos patamares de 2004.

"Os amplos suprimentos globais mantém os preços do café na defensiva depois que a OIC [Organização Internacional do café] elevou sua estimativa global de excedentes na safra 2018/19 para 3,1 milhões de sacas de uma estimativa anterior de 2,29 milhões de sacas", destacou o Barchart.

Jack Scoville, analista de mercado e vice-presidente da Price Futures Group, também destacou em relatório as ideias de ampla oferta, mas também pontou os reflexos da demanda. "O Brasil está dominando o mercado e outros exportadores estão tendo dificuldades de encontrar compradores", disse.

"É um mercado difícil, que não mostra sinais de recuperação iminente", disse um operador norte-americano de mercado para a agência de notícias Reuters. Neste ano, o contrato referência do arábica já perdeu quase 15%.

Cafeicultores brasileiros começaram mais cedo o início da colheita da safra 2019/20 no cinturão do país. Alguns produtores que já iniciaram os trabalhos no campo relatam alto índice de frutos verdes, mas preferem iniciar a atividade com o temor das chuvas.

Além dos fundamentos, mais uma vez, o mercado acompanhou as oscilações do dólar ante o real. Por volta das 16h20, após o fechamento da Bolsa de Nova York, o dólar comercial subia 0,66%, cotado a R$ 3,928 na venda, acompanhando o cenário político e econômico no Brasil com foco na Previdência.

"A queda de hoje do real mínimas de duas semanas em relação ao dólar ainda está pressionando os preços do café, já que o real mais fraco estimula a venda pelos produtores de café do Brasil", complementou o site internacional Barchart. Na véspera, o dólar teve alta de 0,85%, a R$ 3,9018.

Mercado interno

Os negócios no mercado brasileiro de café seguem lentos, mas ocorrem com a necessidade de caixa e, mesmo com preços baixos, devem ganhar ritmo com a colheita que começa no país. "As atividades de colheita dos cafés robusta e arábica da temporada 2019/20 devem ganhar ritmo na semana que vem", destacou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O café tipo cereja descascado registrou maior valor em Poços de Caldas (MG) com saca a R$ 405,00 e alta de 0,50%. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Varginha (MG) com baixa de 2,56% e saca a R$ 380,00.

O tipo 4/5 registrou maior valor de negociação em Franca (SP) com saca a R$ 380,00 e queda de 1,30%. A oscilação mais expressiva foi registrada em Varginha (MG) com baixa de 1,35% e saca cotada a R$ 365,00 no dia.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação na Média Rio Grande do Sul (estável) e Oeste da Bahia (+0,66%), ambos com saca a R$ 380,00. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Espírito Santo do Pinhal (SP) com baixa de 7,89% e saca a R$ 350,00.

Na terça-feira (16), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 381,09 e alta de 0,13%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Carlos Rodrigues -

    Mínimo uma graça... dólar estimulando vendas a 86 centavos... O mundo do café esta prestes a sofrer um terramoto e não há noticias nos bastidores do associativismo do maior produtor do mundo para resolver uma situação gravíssima?? E que tal se o pouco dinheiro que resta fosse gasto numa campanha nos midia internacionais onde seja denunciado o que passa no setor do café??

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