Agrishow 2019: Produção de café sem nematoides será abordada pelo Instituto Biológico na Feira (APTA)

Publicado em 22/04/2019 11:14
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Contaminação por nematoide impacta, aproximadamente, 20% a produção brasileira de café

A sanidade do café e a importância da ocorrência dos nematoides nas lavouras cafeeiras serão temas abordados pelo Instituto Biológico (IB-APTA) na Agrishow 2019. O IB fará a exposição de suas tecnologias no espaço Café de São Paulo, no estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento na Feira. Estima-se que os nematoides causem redução de 20% da produção cafeeira do Brasil. Os parasitas vivem, principalmente, no solo e atacam o sistema de radicular de plantas de diversas culturas, mas causam impacto maior nas de ciclo perene como o café. São Paulo tem legislação referência para evitar a produção de mudas contaminadas com nematoides.

Os esforços fitossanitários do Estado foram reconhecidos em março de 2019 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com a publicação da Resolução nº 3, publicada no Diário Oficial da União. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), os nematoides podem causar prejuízos de R$ 35 bilhões ao ano ao agronegócio brasileiro. Em 2018, do IB lançou o boletim técnico “Nematoides parasitos do cafeeiro” que pode ser baixado gratuitamente clicando aqui.

De acordo com Claudio Marcelo Gonçalves de Oliveira, pesquisador do IB, os nematoides fitoparasitos são limitantes ao cultivo do cafeeiro, principalmente em solos arenosos, com baixa fertilidade e deficiência hídrica. Diversas espécies estão associadas à cultura do café, mas as pertencentes aos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus são comprovadamente nocivos ao cafeeiro. “Há a estimativa de que a redução da produção mundial de café, devido à ação de nematoides, seja, em média, de 15%. No Brasil, estima-se, aproximadamente, 20%. Em São Paulo, a importância dos fitonematoides na produção varia em função das condições de clima e temperatura das regiões, das práticas culturais empregadas e das espécies presentes nas plantas”, explica. Os dois gêneros do nematoide destroem severamente o sistema radicular da planta, limitando a manutenção das áreas infestadas e na implantação de novos cultivos.

Não “plante” nematoides!

O controle mais eficiente e econômico dos nematoides é a prevenção. Para isso, o agricultor precisa evitar o “plantio de nematoide”, ou seja, utilizar mudas contaminadas em sua propriedade. “É necessário que o produtor adquira mudas certificadas, comprovadamente isentas de nematoides. O produtor precisa entender que não é gasto extra adquirir mudas certificadas, mas sim, a garantia de sucesso da sua produção. O controle preventivo de nematoides tem 100% de eficiência, enquanto o uso de produtos químicos para combate-los tem apenas 2% em plantas perenes, como café”, explica o pesquisador.

O baixo resultado da aplicação de produtos químicos para controle de nematoides em culturas perenes é explicado porque o período de carência dos produtos é de 60 dias, porém, essas culturas ficam no campo por mais de 30 anos, sendo inviável financeira e ambientalmente a aplicação de produtos químicos a cada dois meses nas plantações.

“Os produtores podem utilizar algumas ferramentas para reduzir os danos como o uso de cultivares resistentes e a associação de produtos químicos com controle biológico. Existem diversas ferramentas para minimizar a ocorrência dos nematoides. O produtor precisa usar todas elas para obter sucesso”, aponta o pesquisador do IB.

Oliveira explica que no campo nem sempre é possível reconhecer e diagnosticar a presença de fitonematoides apenas com a observação dos sintomas, que consistem em galhas radiculares, redução de radicelas e lesões nas raízes, por isso, é importante que o agricultor envie amostras para serem analisadas em laboratórios. O IB mantém seu Laboratório de Nematologia em Campinas, interior paulista. Anualmente, o Instituto realiza cerca de 600 análises para diagnósticos de nematoides e o IB é referência brasileira em estudos e prestação de serviços em nematologia.

Legislação paulista é reconhecida como referência no País

O Programa Fitossanitário de Defesa Vegetal no Estado de São Paulo para produção, armazenamento, exposição e comercialização de material de propagação de café, citros e seringueira isentos de nematoides foi reconhecido como exemplo pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na publicação da Resolução nº 3 no Diário Oficial da União, em 28 de março de 2019.

Segundo Marcelo Jorge Chaim, diretor do Grupo de Defesa Sanitária Vegetal, da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a produção de mudas sadias, livres de nematoides, são à base da produção e sustentabilidade do agronegócio. “De acordo com a Resolução SAA nº 47, de 11 de outubro de 2018, todas as mudas de café e seringueira, produzidas em São Paulo, devem ser isentas de nematoides dos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus, enquanto as mudas de citros devem ser isentas de Tylenchulus semipenetrans e Pratylenchus, que são pragas que causam prejuízo aos agronegócios”, afirma.

Em São Paulo são produzidas anualmente 22,3 milhões de mudas cítricas e 23,9 milhões de mudas de café, que devem começar a ser produzidas de acordo com a nova legislação até 2021. Oliveira explica que o rigor da legislação paulista se deve aos trabalhos científicos desenvolvidos por instituições como o IB, que subsidiaram a legislação fitossanitária estadual. Segundo ele, na década de 70, 70% das mudas de citros produzidas em São Paulo eram contaminadas por nematoides. Hoje, após a nova legislação, 100% das mudas são produzidas sem contaminação. “É um benefício muito grande para o Estado e para todo o País. Queremos que estes resultados sejam também sentidos em café e seringueira”, afirma o pesquisador do IB.

Outras ações na Agrishow

Ainda na temática sanidade no café, o Instituto Biológico (IB-APTA) fará a exposição de seus trabalhos com ácaros predadores para controle de ácaros pragas no cultivo do café. Ao utilizar os inimigos naturais das pragas do cafeeiro, é possível reduzir os custos de produção, aumentar a eficiência do controle, além de diminuir os impactos ambientais causados pelos defensivos agrícolas e evitar prejuízos à saúde do trabalhador rural.

Os estudos do IB na área envolvem a diversidade e manejo dos ácaros, avaliação de cultivares e clone de café quando à suscetibilidade aos principais ácaros-pragas, incluindo clones com resistência ao bicho-mineiro e a nematoides. Além disso, os trabalhos buscam identificar a diversidade dos ácaros nas diversas regiões produtoras de café, avaliar os inimigos naturais com potencial para controle biológico e analisar o efeito de defensivos químicos e agentes de controle biológico sobre os diferentes ácaros presentes nos cafeeiros.

As doenças relacionadas ao café também serão apresentadas pelo Instituto Biológico, que fará a exposição de folhas e mudas doentes com ferrugem, cercosporiose e mancha aureolada. Os visitantes poderão observar cada uma das doenças com o uso de um microscópio.

SERVIÇO 

Agrishow 2019: 29 de abril a 3 de maio – das 8h às 18h 
Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, Km 321 - Ribeirão Preto – SP

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Fonte: APTA

2 comentários

  • Lindalvo José Teixeira Marialva - PR

    Trabalhamos com ácaro predador em Uva Fina de Mesa em Marialva-Pr., ... faz 4 anos que não aplico acaricida em minha lavoura. Técnica simples de manejo e muito sustentável. Roçadas, manutenção de cordão de mato na fileira de escoras, utilização de inseticida seletivo, plantio de feijão em partes da area e cuidados....

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  • Carlos Rodrigues -

    O maior inimigo do café .. é o produtor !!! que continua a dar tiros no pé!!

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