Retomada de grandes consumidores fora do Brasil podem garantir demanda aquecida nos próximos meses

Publicado em 21/05/2020 13:46 e atualizado em 25/05/2020 09:38

Importantes consumidores do café brasileiro, como Estados Unidos e países da Europa, foram afetados pela pandemia antes do Brasil e a reabertura do comércio nessas áreas pode garantir a demanda de café aquecida nos próximos meses. O analista de mercado Guilherme Morya, do Rabobank, destaca que a retomada além de significar a volta de consumo fora de casa, trata-se também de países desenvolvidos, o que pode ajudar na retomada de consumo. " Portanto existe uma expectativa positiva, de recuperação após a fase mais crítica passar. Porém, temos que acompanhar como será o desenvolvimento dessa transição",  destaca.

Os números da exportação do Brasil no mês de abril comprovam que mesmo diante do atual cenário e com as incertezas logísticas que atingiu não só o café, mas também as principais commodities agrícolas, o consumo segue a todo vapor. Historicamente falando, segundo o Cecafé, é a primeira vez que o mercado enfrenta uma entressafra com estoques tão baixos nas principais regiões produtoras do país.

Morya destaca que os maiores importadores de café brasileiro são Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. "Todos esses países foram afetados pela pandemia e, tiveram que adotar medidas de quarentena para controlar o Coronavírus (uns mais rígidos, outros menos). Também temos que considerar que todos esses consumidores são países desenvolvidos e consumidores tradicionais de café. Portanto, a expectativa é de uma recuperação mais rápida em comparação aos países emergentes", afirma o analista.

O analista destaca ainda que os estoques globais de café tiveram quedas mesmo durante a pandemia e que alguns fatores em países concorrentes do Brasil na produção de café também contribuem para que o país continue a frente quanto o assunto é café. "Quebras de safras, em especial na América Central, e recentes problemas logísticos na Colômbia, colaboraram para que o Brasil assumisse ainda mais protagonismo nas exportações globais de café até o momento em 2020", comenta.

A expectativa do Rabobank destaca que as impressões iniciais são de que a demanda deve ser manter relativamente estável, e os novos números da consultoria apontam para um leve recuo de com um crescimento de 0.6% em relação a temporada 2018/9. "Mesmo com a queda no consumo fora do lar, o consumo dentro dos lares deve compensar este declínio, pelo menos parcialmente", afirma. Destacando ainda a importância do setor acompanhar de perto a dinâmica do consumo conforme o afrouxamento das medidas, especialmente para os principais consumidores.

 

Tags:

Por: Virgínia Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Café perde força no fim do pregão e fecha no vermelho após mercado virar com melhora no clima
Cafeicultura movimenta mais de R$ 3 bilhões em defensivos na safra 2025-26, com alta de 22% e recorde histórico
Fórum Café e Clima debate impactos das condições meteorológicas na área da Cooxupé
Café abre a terça-feira(21) com arábica em alta e robusta próximo da estabilidade
Café fecha em alta nas bolsas com mercado ainda sustentado por atraso da safra brasileira
Colheita de café supera metade do previsto na área de atuação da Expocacer