Tradings brasileiras de café têm pedido de carência negado pela justiça

Publicado em 05/12/2024 11:41
Em novembro, a Atlântica e a Cafebras buscaram a Justiça para tentar negociar com os credores

As empresas do grupo de café Atlântica Exportação e Importação SA e Cafebras Comércio de Cafés do Brasil SA tiveram o pedido conjunto de carência de 60 dias para pagamento da dívida, enquanto negociam com os credores para evitar o pedido de falência, negado pelo Juiz Murilo Silvio de Abreu.

“Entendo a situação de crise dos demandantes, que foi bem demonstrada, mas exigir que tais credores suportem o ônus por 60 dias, com todo o respeito, não é razoável”, disse o juiz durante uma decisão em 3 de dezembro, acompanhada e noticiada pelo Bloomberg News. Ainda de acordo com o portal internacional, essa decisão inicial pode ser recorrida. 

De acordo com a Reuters, no mês de novembro as duas tradings, sediadas no Brasil, buscaram a Justiça para negociar com os credores após terem sido atingidas por um aumento nos preços globais do café arábica.

Os preços futuros da variedade têm estado em alta nos últimos meses, e chegaram a saltar cerca de 70% entre janeiro e o final de novembro para o maior nível de preço em mais de quatro décadas. Esse aumento se deve a preocupação de que a próxima safra do Brasil tenha sido prejudicada pela seca deste ano. 

Diante deste aumento, alguns produtores estão segurando as vendas na esperança de garantir preços ainda mais altos, ao mesmo tempo em que se tornou muito caro para os traders manter posições vendidas em futuros como um hedge para negócios no mercado físico.

A Atlântica disse que responde por 8% das vendas de arábica do Brasil. As duas empresas são de propriedade da Montesanto, e acreditam que não serão as últimas a enfrentarem problemas com os credores. 

Documentos judiciais protocolados pela Montesanto mostram uma lista de empresas às quais a Atlântica e a Cafebras devem cerca de R$ 530 milhões (US$ 87,8 milhões) na forma de chamadas de margem. 

Segundo os advogados que representam o grupo, as empresas estão estudando os próximos passos a serem tomados no processo legal.
 

Por: Raphaela Ribeiro
Fonte: Notícias Agrícolas

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