Atraso nas vendas do café conilon traz risco ao mercado, afirma Pine Agronegócios

Publicado em 09/01/2026 11:45
Produtor brasileiro não quer vender abaixo de R$ 1.400,00, mas cenário internacional pode trazer ainda mais pressão

Olhando para a safra 2025/26, a comercialização do café arábica chegou a 75%, em linha com a média, enquanto a de conilon chegou em 69%, contra a média de 80%. Na visão da Pine Agronegócios, esse cenário mostra que o produtor de conilon está capitalizado e decidiu “não vender café abaixo de R$ 1400”, mas esse sentimento especulativo está levando a esse produtor um risco muito grande. 

“No âmbito da demanda, conversando com exportadores, eles nos reportaram que os americanos estão vindo para as compras, mas buscando volume em um nível de preço que o mercado não está trabalhando, desta forma, quem precisa comprar está pagando um preço maior, contudo, não formam grandes lotes e compram apenas da “mão para boca”, deixando um volume grande já para as compras da entrada da safra”, aponta a consultoria. 

Mercado Internacional 

A publicação destaca que, nesse momento, a Etiópia tem o café Arábica mais barato e o Brasil o país com maior volume, “nesse sentido, quem precisa comprar café fino, está optando por Etiópia e quem precisa um pouco mais de volume, demandando Brasil”. 

Já no Robusta, o Vietnã é de longe o país mais competitivo, com uma diferença que chega a U$ 500 a tonelada. Na Indonésia a diferença para o café brasileiro chega a U$ 280 a ton. “Portanto, podemos esperar uma queda de no mínimo R$ 180 por saca de Conilon apenas para empatar a competividade com o Vietnã. O produtor de Conilon que está vendido abaixo da média para a safra 26/27, deve tomar muito cuidado com o sentimento especulativo”, dizem os analistas da Pine. 

“Quanto ao contexto brasileiro no cenário de exportação, vemos que os diferenciais estão alinhados exatamente com o que estamos colhendo de informações das tradings, o comprador está buscando cafés mais baratos e por isso o diferencial tem aberto. Interessante notarmos que no caso do café Grinders (Padrão commodity), temos um diferencial fraco, demonstrando que nesse momento o comprador está indiferente para esse tipo de café por hora. Importante também destacar que o mercado volta a operar com 100% de disponibilidade na semana que vem, portanto, somente após o dia 12/01 teremos uma percepção melhor sobre a for”, avalia a consultoria. 

Mercado Doméstico 

Já para o mercado interno brasileiro, o contexto é diferente e tem basis regionais subindo, já que o comprador doméstico está tendo que iniciar as compras de 2026 disputando espaço com o comprador internacional. 

“Estamos vendo os basis para o café disponível subindo, sendo que nessa semana, tivemos café em várias praças trabalhando perto de R$ 2400, enquanto as trandigs trabalharam na cara de R$ 2300 o mesmo café. Esse contexto de curto prazo de basis fechando e diferencias para baixos fraco, não deve ser confundido com o comportamento da safra 26/27, onde os compradores estão trabalhando compras com basis muito abertos e diferenciais da mesma forma, contudo, temos de entender que se o produtor não utilizará as ferramentas de gestão de risco via derivativos, o atual nível de preço é bom para o vendedor pela relação de troca e ótimo para o comprador (O qual fará a gestão de risco), assim, o mercado de 26/27 começa a ganhar muita liquidez”. 

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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