Café Solúvel x Tarifaço: "Não importa se é 10% ou 15%, isso coloca todo mundo em circunstâncias iguais de competitividade", afirma diretor da ABICS
"Os Estados Unidos são clientes do Brasil há mais de 60 anos. São os maiores clientes de solúvel do país. Praticamente 20% daquilo que exportávamos para fora vai para os Estados Unidos, sendo um mercado de mais de 220 a 250 milhões de dólares", explica o diretor execitivo da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), Aguinaldo Lima.
Diante disso, o anúncio do governo americano de uma tarifa global de 15%, que se mantida irá substituir a atual taxa de 50% que está em vigor sobre o café solúvel brasileiro desde agosto do ano passado, traz ao setor cafeeiro uma expectativa de retornar com força a competitividade do produto no mercado internacional. "A preocupação era muito grande. Havia um desânimo dentro do nosso próprio setor com relação à manutenção dessas tarifas e agora a gente entra para um novo patamar. Um patamar que não importa se é 10%, se é 15%, isso coloca todo mundo em circunstâncias iguais de competitividade, aí fica muito mais justo", enaltece Lima.
O tarifaço interrompeu o recorde de exportações de café solúvel do Brasil no ano passado. Embarques aos EUA recuaram 28%, pressionados pelo declínio de 40% entre agosto e dezembro, período de vigência da taxa de 50% sobre o produto.
"O Brasil sempre foi líder, mas agora estamos sendo ameaçados pelo Vietnã, que provavelmente deve passar em nível de produção e exportação esse ano. Por isso, essa manutenção para o setor é extremamente positiva. Vamos ver se nós conseguimos recuperar o que foi perdido. Mesmo os EUA sendo nossos clientes de mais de 60 anos, houve um impacto nessa relação. Retomar isso é uma outra luta, mas agora uma luta mais igual", destacou então o diretor da ABICS.