Cenário da produção do café conilon para 2026 é heterogêneo no Brasil
Após uma safra estimada como um recorde histórico em 2025, contabilizando uma produção entre 18 e mais de 20 milhões de sacas (um aumento superior a 40% em relação a 2024), o café conilon/robusta brasileiro vive agora um cenário de otimismo moderado para essa temporada no país.
No primeiro levantamento da safra de café para 2026 no BR, divulgado pela Conab no início do mês de fevereiro, a Companhia estima em um ciclo de alta bienalidade na maioria das regiões produtoras, um crescimento de 17,1% acima da safra colhida no ciclo passado, com projeção então de 66,2 milhões de sacas beneficiadas. Deste total, a produção do conilon tem a perspectiva de 22,1 milhões de sacas (aumento de 6,4%), com o Espírito Santo, maior produtor da espécie, chegando em 14,8 milhões de sacas (+5%), a Bahia alcançando algo em torno de 3,4 milhões de sacas (+4,2%), e o maior crescimento deve ser registrado em Rondônia, com um desempenho 18,3% maior do que na safra passada, indo a 2,7 milhões de sacas.
Dados mostram que as áreas de conilon no Brasil, particularmente os estados do Espírito Santo e Bahia, tiveram condições mais favoráveis para o desenvolvimento da safra 25/26, com níveis de precipitação dentro da média. Porém, relatório divulgado pela Pine Agronegócios após um tour realizado pela consultoria para avaliação da produtividade das principais áreas cafeeiras no Brasil, mostra que apesar de uma boa florada, um stress hídrico em meados de agosto do ano passado penalizou as lavouras. “A deficiência hídrica foi muito relevante em Rondônia, na principal praça do café Conilon no estado, trazendo impactos relevantes no período pré-florada. Pudemos observar que após a segunda quinzena de novembro, tivemos condições climáticas boas para as lavouras no Espírito Santo e Rondônia, mas o potencial produtivo acabou sendo reduzido devido a como as lavouras chegaram para o períodode florada e os manejos mais drásticos no Espirito Santo. Como fato importante, reforçamos o quanto os manejos de poda surtirão efeitos positivos para a temporada 27/28, retirando nesse ano safra um volume de safra, mas caso tenhamos um bom cenário climático para 2026 e 2027, podemos ter uma safra grande”, completa ainda o domento.
Apesar das boas perspectivas produtivas, o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello, avalia uma produção ligeiramente menor do que a registrada no ciclo anterior na região assistida pela cooperativa. “O ano de 2025 vai deixar saudades para o caféicultor. Foi um ano que a gente pode considerar como muito bom em termos de preço, em termos de clima e produtividade. O que resultou então em uma safra satisfatória. Agora, em 2026 nós não tivemos ainda um período de chuva que tivesse continuidade. Aquela chuva mais leve, que realmente traz umidade para o solo e que recupera o lençol freático, que recupera os reservatórios. Isso nós não tivemos. Eu acho que o grão está sendo bem formado. Mas, a gente percebe que as plantas que produziram em 2025 não vão ter o mesmo comportamento de produção em 2026. Entretanto, temos muitas lavouras novas chegando, isso vai acabar subindo a régua um pouco”, pontuou Bastianello.
Nos últimos anos, muitos cafeicultores brasileiros aumentaram as áreas de produção de conilon, com algumas já produzindo na safra 26/27. O levantamento da Conab pontua que a área total cultivada com a variedade, estimada em 442,3 mil hectares, corresponde a um aumento de 6,5% acima da safra passada. Desse total, 386,8 mil hectares são destinados à producão e 55,5 mil hectares para área em formação, para produção futura.
Mas, ainda segundo informações do relatório da consultoria Pine Agronegócios, existe uma divergência de área muito evidente sobre a produção de Conilon. “Segundo dados do IBGE, filtrando os três principais estados produtores (ES, RO e BA), temos uma redução de 20.63% quando comparamos a área plantada de 2012 a 2024. Entendemos que principalmente em Rondônia houve uma substituição pequena de áreas de café por agricultura entre os anos de 2014 a 2021, contudo, olhando as imagens via satélite e consultando localmente o pessoal, não condiz com uma redução de 65% da área conforme aponta o IBGE. Destacamos que o caso de Rondônia é apenas um exemplo, pois até mesmo o Espírito Santo consta redução de área e pela aptidão das áreas, assim como as condições de relevo, essa queda de área não aconteceu”, destaca ainda a análise.
“Ano passado o conilon teve uma produção maior do que tende a ter para esse ciclo 26/27, mas é importante ponderar que, ainda assim, é uma safra supervitária”, pontua o sócio diretor da Pine, Vicente Zotti.