No clima da colheita: Acumulado de chuvas traz cenário positivo para produtividade da safra brasileira de café 2026
"O que a gente teve esse ano foi realmente interessante do ponto de vista técnico. Tivemos um janeiro e fevereiro dentro da normalidade, como deveria ter sido nos últimos 5 anos pelo menos, de chuvas constantes e temperaturas não tão altas", explicou o engenheiro agrônomo e consultor em cafeicultura, Jonas Leme Ferraresso.
Dados apontam que, de fato, o clima no Brasil nos últimos meses tem colaborado positivamente para o desenvolvimento da safra de café 2026/27. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), em fevereiro foram registrados 154,5 milímetros de chuva no município de Marília, e os maiores acumulados ocorreram na Mogiana Paulista, no Cerrado Mineiro e no Sul de Minas. Já nas regiões produtoras de robusta, onde a colheita já pode ser iniciada a partir de abril, os volumes estão bem inferiores aos observados em janeiro.
"Vale destacar que, em municípios mais ao norte do Espírito Santo, como Linhares, o excesso de precipitações no fim de janeiro pode ter prejudicado o desenvolvimento da safra em alguns talhões, influenciando o avanço de doenças. Em Linhares choveu apenas 13 milímetros em fevereiro, após um janeiro com acumulado expressivo de 370,6 milímetros. Para os próximos meses, as condições climáticas seguem no radar dos agentes, especialmente em função da fase final de enchimento dos grãos, sobretudo para o arábica", completa as informações do Inmet.
Segundo Ferraresso, janeiro foi um mês muito importante para desenvolvimento dos grãos, e para o vigor da planta. "Janeiro foi o mês mais uniforme. Fevereiro a gente ainda não tem o fechamento dos dados. Mas, o que eu tenho observado nas propriedades que eu visito é que as chuvas estão constantes e tem favorecido realmente esse desenvolvimento final da lavouras de arábica", contou.
O agrônomo explica que dificilmente um estresse climático neste momento prejudique o andamento da produção cafeeira, "Começou a esfriar e começou a diminuir as chuvas, a planta diminui o seu ritmo biológico, o estresse é menor. A lavoura só tá finalizando ali o processo de maturação, mas a granação já tá completa, as sementes já estão do tamanho que devem estar. Pode até ocorrer um problema de maturação ou coisa do tipo e criar um estresse na planta nesse sprint final, mas que pode prejudicar mais a safra 27 do que a de 26. Até agora, a safra 26 tem se consolidado uma safra realmente melhor do que a gente colheu o ano passado", afirmou.
Porém, especialistas alertam que o excesso de umidade no solo pode aumentar a incidência de doenças, como ferrugem, foma e cercospora, exigindo então uma atenção dobrada no manejo.
Durante podcast da Fundação Procafé, o engenheiro agrônomo da Fundação, Alysson Fagundes, explicou que nesta reta final para a colheita é importante mesmo o produtor realizar com cuidado e atenção todos os manejos adequados, cuidando assim para não perder o que está firmado. "Nós tivemos um excesso de chuva concentrado em um período. E isso é um problema. Nós tivemos um pedacinho de dezembro com chuva concentrada, o janeiro com chuva concentrada e o início de fevereiro. É nesse ponto que ocorre a lixiviação de boro e de potássio. Então, nesse caminho final, o que nós temos agora? Última dubação. Faz um análise de folha. Está vindo o último foliar, então é a hora de entrar nesse último foliar com as devidas correções. Mas, cuidado com os excessos. Depois, já podemos ir realmente caminhando no preparo para a colheita", alertou ainda o engenheiro durante a gravação.
O boletim do Escritório Carvalhaes destaca ainda que se o tempo continuar a ajudar, o Brasil deve colher mesmo uma safra maior que a de 2025. "As chuvas devem proporcionar uma produção melhor com o crescimento mais vigoroso dos frutos e uma queda menor nessa fase de maturação. No entanto, não levará ao aparecimento de novos frutos (além dos já formados no semestre passado), nem recuperará o que já perdemos do potencial para esta safra (com a queda de flores e frutos)", completou o documento.