Café recua ao final desta terça com arábica e robusta sob pressão técnica e câmbio

Publicado em 03/03/2026 17:24 e atualizado em 03/03/2026 17:55
Contratos futuros fecham em baixa na sexta sessão seguida, refletindo sentimento cauteloso do mercado e forças externas que favorecem exportação do Brasil

O mercado internacional de café encerrou o pregão desta terça-feira(3), com cotações em queda tanto para o arábica quanto para o robusta nas principais praças de negociação, em um ambiente onde os fundamentos continuam a ser influenciados por variáveis como o câmbio, projeções de safra e ajustes técnicos dos fundos.

Na ICE Futures US, referência para o Café Arábica, o contrato de março/26 fechou a 289,30 cents por libra-peso, com redução de 140 pontos. O vencimento maio/26 encerrou a 283,15 cents por libra-peso, com queda de 145 pontos, enquanto o julho/26 fechou a 277,95 cents por libra-peso, com desvalorização de 120 pontos.

Em Londres, na ICE Europe, o Café Robusta também seguiu a direção negativa. O contrato março/26 fechou a US$ 3.859 por tonelada, com baixa de 82 dólares. O vencimento maio/26 ficou em US$ 3.705 por tonelada, com recorte de 67 dólares, e o julho/26 encerrou a US$ 3.613 por tonelada, com desvalorização de 52 dólares.

A queda no fechamento acompanha um momento de pressão técnica, em que os preços abriram a semana em terreno misto e depois perderam sustentação ao longo do dia. Uma das forças de mercado é a fraqueza do real frente ao dólar, que pode favorecer os exportadores brasileiros ao estimular vendas externas, reduzindo o apetite por proteção em bolsas de futuros,  um comportamento destacado em análises recentes sobre a influência cambial nas cotações de café.

Além disso, fundamentos de oferta continuam a pressionar as cotações. As expectativas de uma safra global mais robusta, com projeções elevadas tanto no Brasil quanto em outros países produtores, têm levado a ajustamentos de posições por parte de investidores, resultando em realização de lucros e maior liquidez descendente no mercado futuro. A combinação de uma oferta global ampliada e estoques certificados mais confortáveis contribui para as baixas nas cotações.

No campo, as condições climáticas recentes no Brasil também exerceram impacto. Chuvas benéficas em áreas-chave continuam a aliviar parte das preocupações com a safra arábica, embora oscilações de curto prazo no clima ainda mantenham alguma incerteza entre produtores e traders.

O fechamento negativo desta terça-feira reafirma o momento de cautela entre os participantes do mercado, que seguem ponderando fatores cambiais, fundamentos de oferta e ajustes técnicos em um cenário ainda marcado por volatilidade global.
 

Por: Priscila Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Café fecha em queda nas bolsas nesta 4ª feira com avanço da colheita no Brasil pressionando as cotações
Café abre em direções opostas com mercado atento ao clima e ao ritmo da colheita no Brasil
Colheita de café na área de atuação da Cooxupé alcança 47,3%
Café/Cepea: Embarques recuam na safra 2025/26, mas receita fica estável
Café perde força no fim do pregão e fecha no vermelho após mercado virar com melhora no clima
Cafeicultura movimenta mais de R$ 3 bilhões em defensivos na safra 2025-26, com alta de 22% e recorde histórico