Safra recorde no radar derruba preços e fevereiro entra para a história recente do mercado de café
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O mercado de café atravessou um período de forte correção ao longo de fevereiro, após meses de valorização expressiva observados durante 2025. A pressão sobre as cotações ganhou força principalmente na primeira semana do mês e marcou um dos movimentos de ajuste mais rápidos dos últimos meses.
No Espírito Santo, principal produtor brasileiro de café conilon, a queda foi imediata. No dia 30 de janeiro, o preço médio do café tipo 7/8 no estado estava próximo de R$ 1.150 por saca. Já no dia 6 de fevereiro, primeira sexta-feira do mês, a cotação havia recuado para cerca de R$ 1.010 por saca, o que representou uma desvalorização superior a 12% em poucos dias de negociação.
Após esse recuo inicial, o restante de fevereiro foi marcado por um período de maior acomodação. As cotações passaram a oscilar majoritariamente entre R$ 1.000 e R$ 1.050 por saca, indicando uma fase de consolidação do mercado após o ajuste brusco.
Segundo Rafael Teixeira, diretor comercial da Prime Café, o movimento refletiu principalmente uma reprecificação diante das novas expectativas de oferta no Brasil e no cenário global. “De forma geral, fevereiro foi marcado por um processo de ajuste técnico no mercado de café, impulsionado pela combinação de fatores internos e externos”, avalia.
Estimativa da Conab muda percepção do mercado
Um dos principais gatilhos para a correção foi a divulgação da primeira estimativa da safra brasileira de café 2026 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com o levantamento, a produção nacional pode alcançar 66,2 milhões de sacas beneficiadas, o que representa crescimento de 17,1% em relação ao ciclo anterior. Caso confirmada, a safra poderá se tornar uma das maiores já registradas no país.
O avanço está associado principalmente ao ciclo de bienalidade positiva do café arábica, além da expansão da área produtiva e da melhora das condições climáticas observadas desde a segunda quinzena de janeiro em diversas regiões produtoras.
A Conab estima que a produção de café arábica possa chegar a 44,1 milhões de sacas, com alta de cerca de 23% na comparação anual. Já o café conilon (robusta) tem projeção de aproximadamente 22,1 milhões de sacas, volume que pode representar novo recorde para a variedade no país.
Entre os estados, Minas Gerais deve permanecer como o maior produtor nacional, com estimativa de cerca de 32,4 milhões de sacas, enquanto o Espírito Santo, líder na produção de conilon, pode alcançar aproximadamente 19 milhões de sacas.
A divulgação dessas projeções levou o mercado a incorporar rapidamente a expectativa de aumento da oferta brasileira, pressionando as cotações.
Bolsas internacionais também registraram queda
O movimento de retração não ficou restrito ao mercado interno. Nas bolsas internacionais, os contratos futuros também encerraram fevereiro com perdas relevantes.
Na ICE Futures US, referência para o café arábica, os contratos com vencimento em maio de 2026 acumularam queda de cerca de 10,97% ao longo do mês. Já na bolsa de Londres, referência para o café robusta, o recuo foi de aproximadamente 10,23% no mesmo período.
O desempenho reforça a leitura de correção técnica após a valorização expressiva registrada em 2025, quando o arábica acumulou alta superior a 24% no mercado internacional.
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