CNC rebate críticas sobre trabalho no campo e alerta para generalizações na cafeicultura brasileira
O Conselho Nacional do Café (CNC) divulgou uma nota técnica para rebater críticas recentes que associam a cafeicultura brasileira a problemas trabalhistas de forma generalizada. A manifestação ocorre após a repercussão de um levantamento que apontou possíveis irregularidades em propriedades produtoras de café.
Segundo o CNC, o estudo que embasou essas críticas foi realizado com uma amostra considerada reduzida, envolvendo 24 trabalhadores em nove propriedades, o que, na avaliação da entidade, não representa a realidade de um setor presente em todo o território nacional.
Na nota, o conselho afirma que repudia qualquer forma de trabalho degradante ou irregular, mas ressalta que casos pontuais não podem ser utilizados para caracterizar toda a atividade cafeeira brasileira.
A entidade também reforça a dimensão da cafeicultura no país. Atualmente, a produção está distribuída em cerca de 300 mil propriedades, presentes em 18 estados e aproximadamente 1.900 municípios. A atividade é majoritariamente conduzida por pequenos produtores, que representam 88% dos estabelecimentos, de acordo com dados do Censo Agropecuário do IBGE.
Além da relevância produtiva, o CNC destaca o impacto social da cadeia do café, responsável por milhões de empregos diretos e indiretos. A cultura ocupa cerca de 2,33 milhões de hectares e movimenta bilhões de reais anualmente, consolidando-se como uma das principais atividades do agronegócio brasileiro.
Outro ponto enfatizado pela entidade é a diversidade do setor. A cafeicultura envolve agricultores familiares, cooperativas, mulheres, jovens e comunidades tradicionais, além de concentrar o maior número de Indicações Geográficas entre produtos agropecuários brasileiros, com 23 registros reconhecidos.
O CNC também afirma que mantém uma agenda institucional voltada à promoção do trabalho decente no campo, com iniciativas de capacitação, incentivo à formalização da mão de obra e disseminação de boas práticas, especialmente durante o período de colheita.
Por fim, a entidade defende que o debate sobre condições de trabalho no campo deve ser feito com base técnica e responsabilidade, evitando generalizações que, segundo o conselho, prejudicam a imagem de um setor amplo, diverso e essencial para a economia do país.