Cooxupé bate recordes bilionários, exportações avançam e tecnologia chega ao campo: o que muda na prática para o produtor de café

Publicado em 30/03/2026 10:48 e atualizado em 31/03/2026 14:17
Resultados históricos, crescimento nas exportações, novos recursos do Funcafé e eventos técnicos ampliam oportunidades e exigem atenção do cafeicultor em 2026

A cafeicultura brasileira inicia 2026 com uma combinação de fatores que impactam diretamente a rentabilidade e a tomada de decisão no campo. De um lado, cooperativas registram resultados históricos e ampliam a distribuição de renda. De outro, exportações mostram variações importantes e novas tecnologias chegam ao produtor com foco em eficiência e redução de custos.

A Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo, apresentou um balanço recorde referente a 2025, com faturamento de R$ 16,99 bilhões e resultado de R$ 470,3 milhões. As sobras distribuídas aos cooperados somaram R$ 185,6 milhões, um ponto de atenção importante para o produtor que busca entender o retorno da participação em cooperativas.

O volume recebido pela cooperativa foi de 6,075 milhões de sacas de café arábica, sendo 4,8 milhões entregues pelos próprios cooperados. Esse volume representa cerca de 17% da produção nacional de arábica e 24% da produção de Minas Gerais, segundo dados com base na Companhia Nacional de Abastecimento.

No mercado, a Cooxupé embarcou 6,078 milhões de sacas, com 4,8 milhões destinadas à exportação e 1,2 milhão ao mercado interno. O destaque ficou para setembro, com recorde mensal de 810.170 sacas exportadas. A cooperativa atua em 50 países, incluindo Alemanha, Estados Unidos e China, reforçando a dependência do Brasil do mercado externo.

Para o produtor, esse cenário mostra que, mesmo diante de desafios como problemas climáticos, juros elevados e gargalos logísticos, os preços do café se mantiveram em patamares acima do custo de produção ao longo de 2025, o que contribuiu para a capitalização no campo.
Outro ponto relevante é o perfil dos cooperados. Cerca de 97,6% são pequenos e médios produtores, o que evidencia a importância da agricultura familiar na base da cafeicultura brasileira e reforça a necessidade de políticas e assistência técnica direcionadas.

Nesse sentido, a própria cooperativa ampliou os investimentos, totalizando R$ 105,2 milhões em infraestrutura, além de mais de 143 mil atendimentos técnicos gratuitos realizados em 2025. Esse tipo de suporte impacta diretamente na produtividade e na gestão da lavoura.
No campo da tecnologia e manejo, eventos como os Dias de Campo da Fundação Procafé ganham relevância estratégica. A programação de 2026 prevê encontros em Boa Esperança, Franca e Varginha, levando ao produtor acesso direto a práticas mais eficientes, com foco em aumento de produtividade, melhoria da qualidade e redução de custos.

A proposta é clara: transformar pesquisa em resultado prático dentro da propriedade. A adoção de tecnologias e técnicas adequadas pode elevar a competitividade, especialmente em um cenário de custos ainda pressionados.

No mercado externo, os dados mais recentes mostram movimentos distintos. O Espírito Santo exportou 277 mil sacas em fevereiro, alta de 37% em relação a janeiro, com destaque para o café conilon. A receita cambial superou US$ 75 milhões no mês, embora ainda apresente queda na comparação anual.

No acumulado do bimestre, o estado registra retração de 8% no volume e de 16% em valor frente ao mesmo período do ano passado, o que acende um alerta para o produtor sobre volatilidade de preços e demanda internacional.

Ao mesmo tempo, políticas públicas seguem como suporte importante. O Conselho Monetário Nacional aprovou R$ 7,36 bilhões para o Funcafé na safra 2026/2027, recurso essencial para custeio, comercialização, capital de giro e recuperação de lavouras.

Outro avanço relevante está na sustentabilidade. O programa de gestão hídrica do Conselho Nacional do Café foi reconhecido pela Agência Nacional de Águas como modelo de boas práticas. A iniciativa incentiva ações como conservação de solo, recuperação de nascentes e aumento da resiliência climática das propriedades.

Na prática, o produtor enfrenta um cenário que combina boas oportunidades de renda, acesso a crédito e avanço tecnológico, mas que exige cada vez mais gestão eficiente, atenção ao mercado externo e adoção de práticas sustentáveis.

O momento é de estratégia dentro da porteira, com decisões mais técnicas e integração maior com cooperativas, assistência e informação de mercado.
 

Por: Priscila Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

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