Café reage após forte queda e fecha em alta com suporte do câmbio e ajustes nas posições
O mercado do café encerrou a sessão desta terça-feira (31), em alta nas principais bolsas internacionais, em um movimento de recuperação técnica após as perdas expressivas registradas no dia anterior.
Na bolsa de Nova York, o café arábica fechou cotado a 298,35 centavos de dólar por libra-peso no contrato maio/26, com avanço de 580 pontos. O julho/26 subiu 420 pontos, a 290,85 centavos/lb, enquanto o setembro/26 avançou 250 pontos, encerrando a 277,65 centavos/lb.
Em Londres, o café robusta também apresentou valorização. O contrato maio/26 fechou cotado a US$ 3.493 por tonelada, com alta de 74 pontos. O julho/26 avançou 57 pontos, a US$ 3.392, e o setembro/26 subiu 49 pontos, encerrando a US$ 3.331 por tonelada.
A alta desta terça-feira ocorre após o mercado ter registrado forte queda na sessão anterior, o que favoreceu um movimento de recomposição técnica de preços e ajustes de posições por parte dos agentes.
Além do fator técnico, o câmbio também contribuiu para o suporte das cotações. A valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade das exportações brasileiras no curto prazo, o que tende a diminuir a pressão vendedora e dar sustentação aos preços internacionais, conforme apontado pelo analista internacional Rich Asplund.
Apesar da recuperação no dia, o cenário estrutural segue pressionado pela expectativa de aumento da oferta. De acordo com avaliação do analista Marcelo Fraga Moreira, o mercado continua trabalhando com uma safra brasileira acima de 70 milhões de sacas para o ciclo 2026/27.
Essa perspectiva mantém o viés de pressão no médio prazo, já que o Brasil segue como principal fornecedor global e qualquer revisão positiva na produção impacta diretamente a formação de preços nas bolsas.
Na prática, o mercado passa a operar em um ambiente de maior volatilidade, alternando movimentos de queda, puxados pela expectativa de safra elevada, com recuperações pontuais, sustentadas por fatores técnicos e câmbio.
O fechamento desta terça-feira reforça um ponto importante: mesmo em um cenário de pressão estrutural, o mercado continua oferecendo janelas de reação no curto prazo. Isso exige atenção constante às oscilações e estratégia na comercialização, especialmente neste momento que antecede o avanço mais intenso da colheita no Brasil.