Café reage nas bolsas, mas pressão da safra brasileira ainda ameaça preços e deixa mercado em alerta
O mercado futuro do café encerrou esta quarta-feira (8), em alta nas bolsas internacionais, em um movimento de recuperação técnica após as perdas expressivas da sessão anterior, mas ainda sob forte influência de fundamentos baixistas ligados ao avanço da safra brasileira e à perspectiva de maior oferta global.
Na bolsa de Nova York, o arábica também registrou recuperação, com o maio/26 encerrando a 294,05 cents/lb, alta de 795 pontos, o julho/26 a 289,30 cents/lb, com elevação de 800 pontos, e o setembro/26 a 275,95 cents/lb, subindo 675 pontos. Em Londres, o robusta fechou com valorização nos principais contratos, com o maio/26 a US$ 3.328 por tonelada, alta de 13 pontos, o julho/26 a US$ 3.256 por tonelada, avanço de 25 pontos, e o setembro/26 a US$ 3.188 por tonelada, ganho de 27 pontos.
Apesar do fechamento positivo, o cenário estrutural do mercado segue pressionado.As cotações haviam recuado fortemente no dia anterior, atingindo os níveis mais baixos em cerca de um mês, reflexo direto da expectativa de uma safra maior no Brasil, especialmente de arábica, e da proximidade do início da colheita, que naturalmente amplia a oferta disponível e pressiona os preços . Esse fator continua sendo o principal limitador de altas mais consistentes.
No robusta, o início da colheita do conilon no Brasil já começa a impactar o mercado físico, aumentando a disponibilidade e reduzindo a resistência dos produtores à comercialização. Segundo a Safras & Mercado, os preços do conilon vêm acumulando quedas nos últimos dias, com o tipo 7/8 no Espírito Santo recuando para a faixa de R$ 880 por saca, bem abaixo dos níveis observados semanas atrás, refletindo justamente essa entrada de oferta.
No mercado físico de arábica, o comportamento também foi de retração, com negócios travados e produtores mais defensivos diante da volatilidade. Ainda conforme a Safras & Mercado, houve desvalorizações médias de até R$ 90 por saca no curto prazo, o que reduziu a liquidez nas principais praças e levou compradores a atuarem de forma pontual, muitas vezes trabalhando da mão para boca.
Do lado externo, fatores macroeconômicos seguem no radar e ajudam a explicar a recuperação desta quarta-feira. A valorização do real frente ao dólar tende a dar suporte às cotações em Nova York, conforme análise do mercado internacional, ao reduzir o incentivo às exportações brasileiras e equilibrar parcialmente a pressão de oferta. Ainda assim, o ambiente global permanece sensível, com aumento da aversão ao risco em função de tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, o que influencia diretamente o posicionamento dos fundos nas commodities.
Outro ponto relevante é a expectativa de melhora na oferta global não apenas do Brasil, mas também com a chegada da safra de robusta da Indonésia, o que reforça o viés de pressão sobre os preços no médio prazo. Esse conjunto de fatores mantém o mercado em um equilíbrio delicado entre recuperação técnica e fundamentos ainda negativos.
O fechamento em alta traz algum alívio no curto prazo, mas o cenário exige cautela. A combinação entre avanço da colheita, aumento da oferta global e instabilidade macroeconômica deve continuar impondo volatilidade às cotações, com movimentos de recuperação sendo, ao menos por enquanto, mais técnicos do que sustentados por mudanças estruturais no mercado.