Demanda por café solúvel impulsiona avanço do conilon em Minas Gerais

Publicado em 13/04/2026 13:44
Em 2025, estado colheu cerca de 584 mil sacas, alta de 50% em relação a 2024. No Brasil, a produção atingiu recorde histórico de 20,8 milhões de sacas

O cultivo de café conilon tem avançado de forma consistente em Minas Gerais, impulsionado pela adaptação da cultura a regiões mais quentes e secas do estado e pela crescente demanda da indústria de café solúvel. Embora ainda represente uma parcela menor em relação ao arábica, o conilon é atualmente a espécie cafeeira que mais cresce proporcionalmente em território mineiro, ampliando a diversificação e a resiliência da cafeicultura estadual.

Um dos principais fatores desse crescimento é a expansão do mercado de café solúvel. O conilon apresenta maior rendimento de sólidos solúveis, característica essencial para a indústria de cafés instantâneos e bebidas prontas para consumo. O aumento da demanda global, especialmente na Ásia e na Europa, tem ampliado o interesse pela matéria-prima e estimulado novos investimentos na cultura.

Segundo a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, o avanço do conilon é mais evidente em regiões que tradicionalmente não eram polos cafeeiros clássicos, como Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha, Vale do Rio Doce e áreas de transição no Noroeste mineiro. “Com temperaturas mais elevadas e menor altitude, essas áreas apresentam maior aptidão para o cultivo, especialmente com o uso de irrigação”, explica.

Além das condições climáticas favoráveis, a rentabilidade também tem estimulado produtores. Nos últimos anos, o conilon registrou fortes altas nas cotações internacionais, influenciadas por frustrações de safra em importantes países produtores, como Vietnã e Indonésia. A cultura também apresenta maior estabilidade produtiva, com menor impacto da bienalidade, característica comum no café arábica.

“É importante destacar que o conilon não substitui o arábica, mas complementa a produção. Em muitas propriedades mineiras, produtores têm adotado sistemas híbridos, combinando as duas espécies para reduzir riscos climáticos e diversificar a renda. A estratégia também permite utilizar o conilon em áreas menos aptas ao arábica, fortalecendo a sustentabilidade econômica das fazendas”, ressalta Ana Carolina.

Café solúvel amplia demanda

Em 2025, o Brasil exportou 84,4 mil toneladas de café solúvel, gerando receita cambial de US$ 1,1 bilhão — crescimento de 21% em relação a 2024. Em Minas Gerais, embora os números ainda sejam menores, o crescimento também é expressivo. O estado exportou 5,8 mil toneladas no mesmo período, alta de 2%, com receita de US$ 68 milhões, aumento de 26%. Os principais mercados compradores incluem Estados Unidos, Japão, Argentina, países do Leste Europeu e do Sudeste Asiático.

Apesar de ainda representar cerca de 2% da produção cafeeira mineira, o conilon vem registrando expansão contínua. Em 2026, Minas Gerais conta com 11,1 mil hectares em produção. Nos últimos cinco anos, a área cresceu 12%, com destaque para a região Leste de Minas, que registrou expansão de 67%. Em 2025, o estado colheu cerca de 584 mil sacas de conilon, alta de 50% em relação a 2024. No Brasil, a produção atingiu recorde histórico de 20,8 milhões de sacas, crescimento de 42%.

A produtividade também chama atenção. Enquanto o arábica produz, em média, entre 20 e 40 sacas por hectare, o conilon pode alcançar de 40 a 80 sacas por hectare, podendo superar 100 sacas em sistemas irrigados e tecnificados. Em 2025, a produtividade média em Minas Gerais foi de 53 sacas por hectare, com tendência de crescimento para 54,2 sacas em 2026.

Minas Gerais possui condições favoráveis para ampliar o cultivo. Segundo o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), mais de 660 municípios mineiros apresentam aptidão para o cultivo de conilon. Projetos de adaptação varietal conduzidos por instituições de pesquisa também estão em andamento, ampliando as possibilidades de expansão.

Apesar do potencial, a implantação do conilon exige maior tecnificação. Entre os principais desafios estão a necessidade de irrigação eficiente, obtenção de outorga de água, manejo de podas mais intensivas, uso de mudas clonais e manejo nutricional mais exigente.

Por: Sistema Faemg Senar
Fonte: Notícias Agrícolas

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