Café fecha a semana em forte baixa com avanço da colheita e pressão sobre as bolsas
Os preços do café encerraram esta sexta-feira (29) com fortes quedas nas bolsas internacionais, em um movimento de realização de lucros e pressão ligada ao avanço da colheita brasileira. O mercado acompanhou a melhora do ritmo dos trabalhos no campo após períodos de chuva, além da expectativa de maior entrada de café no mercado nas próximas semanas.
Na Bolsa de Nova Iorque, o café arábica fechou em baixa expressiva. O contrato julho/26 perdeu 865 pontos, cotado a 265,60 cents/lbp. O setembro/26 recuou 800 pontos, negociado a 258,70 cents/lbp, enquanto o dezembro/26 caiu 770 pontos, encerrando a sessão a 251,20 cents/lbp.
Em Londres, o robusta também terminou o pregão pressionado. O contrato julho/26 caiu 78 pontos, cotado a US$ 3.476 por tonelada. O setembro/26 perdeu 68 pontos, negociado a US$ 3.347 por tonelada, e o novembro/26 recuou 66 pontos, encerrando a US$ 3.272 por tonelada.
O mercado trabalhou durante o dia acompanhando a retomada mais intensa da colheita em importantes regiões produtoras do Brasil. Com a melhora das condições climáticas em parte das áreas cafeeiras, aumentou a expectativa de maior disponibilidade de café no físico, fator que pressionou as bolsas.
Além do avanço da safra, operadores também realizaram lucros após as altas recentes registradas no mercado. Fundos e investidores seguiram ajustando posições diante do cenário de maior oferta no curto prazo e do comportamento do câmbio.
Apesar da pressão desta sexta-feira, o mercado ainda mantém atenção sobre as condições climáticas nas regiões produtoras. As chuvas registradas em maio seguem sendo acompanhadas de perto por produtores e compradores, principalmente pelos impactos sobre o andamento da colheita e a qualidade dos grãos.
Levantamentos do Cepea apontam que as precipitações limitaram o avanço dos trabalhos no campo em parte de Minas Gerais e São Paulo ao longo do mês. Mesmo assim, com a melhora do tempo nos últimos dias, a tendência é de aceleração gradual da colheita.
No robusta, o mercado segue atento ao avanço da safra em Rondônia, estado que vem registrando ritmo mais acelerado de retirada dos grãos. O aumento da oferta da variedade também contribuiu para a pressão observada em Londres.
No mercado interno, a comercialização segue acontecendo de forma cautelosa. Produtores continuam acompanhando as oscilações das bolsas, o dólar e o ritmo da safra antes de avançarem com volumes maiores de venda.