Café dispara nas bolsas internacionais com temor de geadas no Brasil e movimento de recomposição do mercado

Publicado em 06/07/2026 15:33 e atualizado em 06/07/2026 16:04
Arábica sobe mais de 16% em Nova Iorque e robusta avança quase 9% em Londres diante das preocupações com o clima nas áreas produtoras brasileiras

Os contratos futuros do café encerraram a sessão desta segunda-feira (6) com fortes ganhos nas bolsas internacionais. O mercado reagiu às previsões de uma massa de ar frio sobre importantes regiões produtoras do Brasil, elevando a preocupação com o risco de geadas e desencadeando um intenso movimento de cobertura de posições vendidas pelos investidores.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato julho/26 do café arábica fechou cotado a 363,95 cents de dólar por libra-peso, com alta de 4.830 pontos. O vencimento setembro/26 encerrou o dia a 349,95 cents/lb, avançando 4.875 pontos, enquanto o dezembro/26 terminou negociado a 335,40 cents/lb, com ganho de 4.910 pontos.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o café robusta também registrou forte valorização. O contrato julho/26 fechou a US$ 4.064 por tonelada, alta de 161 pontos. O setembro/26 encerrou a US$ 4.044 por tonelada, com avanço de 328 pontos, e o novembro/26 terminou o dia cotado a US$ 4.007 por tonelada, também com ganho de 328 pontos.

Segundo análise da Barchart, o mercado incorporou um prêmio de risco diante das previsões de frio para as regiões cafeeiras do Brasil. Embora ainda não houvesse confirmação de geadas ou de danos às lavouras, a possibilidade de queda mais acentuada das temperaturas foi suficiente para estimular compras e acelerar a cobertura de posições vendidas pelos fundos.

Já o analista Jeremias Nascimento avalia que o movimento desta segunda-feira vai além do fator climático. Segundo ele, as cotações já vinham negociando abaixo dos fundamentos do mercado, que continuam apontando para um cenário de oferta restrita, especialmente no café arábica. Na avaliação do analista, o risco de frio funcionou como catalisador para uma forte recuperação dos preços, antecipando um movimento que já encontrava respaldo nos fundamentos.

Nascimento ressalta ainda que o mercado continuará altamente sensível às informações meteorológicas nos próximos dias. Caso as previsões de frio intenso se confirmem e provoquem impactos nas lavouras, o mercado poderá incorporar novos prêmios de risco. Por outro lado, se o evento climático ocorrer sem danos relevantes, parte da valorização poderá ser ajustada nas próximas sessões.

No Brasil, as atenções permanecem concentradas sobre as principais regiões produtoras de café do Sul de Minas Gerais, Mogiana Paulista e Paraná, onde o comportamento das temperaturas será determinante para a formação dos preços no curto prazo.

Por: Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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