Café dispara nas bolsas e encerra sessão com ganhos expressivos diante de novas preocupações climáticas no Brasil
Os contratos futuros do café encerraram a sessão desta quinta-feira (9) com forte valorização nas bolsas internacionais, em um movimento de recuperação sustentado pelo retorno das preocupações com o clima nas regiões produtoras do Brasil.
Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato setembro/26 do café arábica fechou cotado a 347,90 cents/lbp, com alta de 3.810 pontos. Na ICE Europe, em Londres, o robusta para setembro/26 encerrou o pregão a US$ 4.043 por tonelada, avanço de 302 pontos.
O mercado voltou a incorporar prêmios de risco diante das previsões de chuvas para a segunda quinzena de julho em importantes áreas cafeeiras brasileiras, justamente em um período decisivo para a colheita, secagem e beneficiamento dos grãos.
Segundo analistas do mercado, a possibilidade de precipitações durante o avanço da colheita reacendeu as preocupações com atrasos nos trabalhos de campo e eventuais impactos sobre a qualidade do café. O cenário climático devolveu força às cotações após a forte volatilidade registrada nos últimos pregões.
O mercado também segue atento ao cenário da oferta global. Apesar do avanço da colheita brasileira, especialistas avaliam que os estoques mundiais continuam apertados, o que mantém elevada a sensibilidade das cotações a qualquer mudança nas condições climáticas. Em encontro promovido pelo Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira (SRB), o vice-presidente sênior de trading da StoneX, Albert Scalla, afirmou que a intensidade do El Niño será determinante para o comportamento dos preços nos próximos meses. Já Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, alertou que um evento mais intenso pode provocar veranicos durante o verão brasileiro, atrasando as chuvas e comprometendo o desenvolvimento da safra 2027/28.
Embora a safra 2026/27 brasileira esteja em andamento e conte com estimativas elevadas de produção, ainda há divergências entre as projeções. Enquanto algumas consultorias trabalham com uma colheita acima de 73 milhões de sacas, representantes do setor consideram esses números otimistas e defendem cautela diante das perdas localizadas provocadas pelas chuvas durante a colheita e da indefinição sobre os impactos climáticos para o próximo ciclo. O consenso entre os especialistas é que o comportamento do El Niño será a principal variável para a formação dos preços nos próximos meses.
Além do clima, operadores seguem acompanhando o ritmo da colheita brasileira, que continua sendo o principal fator de direcionamento das cotações internacionais. A combinação entre riscos climáticos e incertezas sobre a oferta mantém o mercado bastante sensível a novas previsões meteorológicas, favorecendo oscilações expressivas nas bolsas.