Café encerra semana em alta com atraso da colheita no Brasil sustentando as cotações

Publicado em 17/07/2026 15:39
Arábica fecha com alta de 2,46% em Nova York e robusta sobe 2,11% em Londres, enquanto ritmo lento da colheita brasileira mantém o mercado atento à oferta


 

As bolsas internacionais do café encerraram a sexta-feira (17) em alta, recuperando parte das perdas registradas nas sessões anteriores. O mercado voltou a ser sustentado pelas preocupações com o ritmo da colheita brasileira, que segue abaixo da média histórica, além da baixa liquidez, fator que continua ampliando a volatilidade das cotações.

Na ICE Futures US, o contrato setembro/26 do café arábica fechou cotado a 320,30 cents/lbp, alta de 770 pontos. O vencimento dezembro/26 avançou 655 pontos, encerrando a 303,80 cents/lbp.

Já na ICE Europe, o robusta também terminou o dia em campo positivo. O contrato setembro/26 fechou em US$ 3.877 por tonelada, ganho de US$ 80, enquanto o novembro/26 subiu US$ 82, negociado a US$ 3.829 por tonelada.

O principal fator de sustentação continua sendo o avanço mais lento da colheita brasileira. Levantamento da Safras & Mercado aponta que a safra 2026/27 alcançou 64% da área colhida até 15 de julho, abaixo dos 77% registrados no mesmo período do ano passado e também inferior à média de 70% dos últimos cinco anos.

Esse atraso reforça as preocupações com a disponibilidade imediata de café no mercado, justamente em um momento em que os estoques globais permanecem apertados. Além do ritmo da colheita, o mercado continua acompanhando relatos sobre a qualidade dos grãos em algumas regiões produtoras, após períodos de chuvas durante a colheita.

Na avaliação de analistas, o atraso da safra brasileira foi determinante para que, na última semana, o arábica atingisse os maiores níveis em cerca de cinco meses e meio. Embora as cotações tenham devolvido parte dos ganhos nos dias seguintes, o mercado segue encontrando suporte nos fundamentos ligados à oferta.

Outro fator que continua influenciando os negócios é a redução da liquidez. Após a Intercontinental Exchange (ICE) elevar duas vezes, na semana passada, as exigências de margem para negociação dos contratos futuros de café, muitos fundos reduziram posições, diminuindo o volume de negócios e ampliando as oscilações diárias.

No mercado físico brasileiro, a volatilidade das bolsas segue limitando a realização de negócios. Produtores permanecem cautelosos diante das incertezas sobre o tamanho da safra, a qualidade dos lotes e o comportamento dos preços nas próximas semanas, enquanto compradores continuam acompanhando a evolução da colheita antes de ampliar suas aquisições.

Por: Priscila Alves I instagram: @priscilaalestv
Fonte: Notícias Agrícolas

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