Café arábica sobe forte em NY: Petróleo a US$ 100 e produtor brasileiro 'segurando' vendas dão suporte às cotações
Os contratos futuros do café arábica voltaram a operar em forte alta na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (9), zerando rapidamente as perdas do pregão anterior. Um dos combustíveis para o avanço é a alta fdo petróleo, com destaque para o Brent, negociado em Londres, superando os US$ 100 por barril. Ao lado deste movimento, que puxa forte as commodities agrícolas de forma generalizada nesta quarta, está ainda o câmbio no Brasil, que vinha limitando o apetite de vendas por parte do produtor brasileiro.
Os principais vencimentos do arábica, por volta de 11h15 (horário de Brasília), subiam de 2,5% a 2,9%, levando o dezembro a 299,60 e o março a 289,60 cents de dólar por libra-peso.
Uma análise da StoneX divulgada hoje aponta que a valorização do real frente ao dólar se tornou um pilar importante de sustentação dos preços. O câmbio, que iniciou o ano de 2026 na casa dos R$ 5,50, agora opera mais próximo aos R$ 5,11, uma valorização de moeda brasileira da ordem de de 5% a 7%. Nesta quarta, a divisa americana até testa alguma recuperação depois das perdas de ontem, mas sem se distanciar dos R$ 5,10. Com a moeda brasileira mais forte, cada dólar faturado rende menos na conversão, comprimindo a margem. Como resultado, os produtores estão recuando.
Segundo a StoneX, mesmo com o USDA estimando uma safra recorde no Brasil de 71,9 milhões de sacas (2026/27), a disponibilidade física no curto prazo está apertada porque o cafeicultor não está disposto a vender nos atuais níveis de preço e câmbio. E assim, parte da sustentação que as cotações exibem hoje vêm deste movimento e desta liquidez mais limitada no mercado brasileiro agora.
Essa resistência, somada aos baixos estoques certificados mantém o suporte firme para o arábica. O momento exige cautela redobrada do produtor na hora de fixar margens, afirmam analistas e consultores de mercado. Até porque a tendência é de contínua e ainda muito intensa volatitlidade no cenário internacional.
Para além dos fundamentos, o mercado também reflete o movimento técnico, com os fundos investidores atuando na ponta compradora, recompondo posições e contribuindo para o avanço.