Café fecha em baixa em NY e Londres com safra recorde do Brasil reforçando pressão sobre preços

Publicado em 24/09/2026 15:34 e atualizado em 24/09/2026 17:43
Conab elevou produção brasileira para 67,6 mi de sacas em 26, alta de 19,6%; arábica deve crescer quase 35%

A quinta-feira (24) terminou com os preços do café testando leves baixas nas bolsas internacionais, em uma sessão marcada pela divulgação de novas estimativas para a safra brasileira. Tanto o arábica, em Nova York, quanto o robusta, em Londres, terminaram o pregão no campo negativo. Em Nova York, o dezembro/26 perdeu 0,55 ponto, para 275,35 cents por libra-peso. O março/27 recuou 0,45 ponto, cotado a 267,70 cents/lb, enquanto maio/27 caiu 0,70 ponto, para 265,15 cents/lb.

O mercado absorveu nesta quinta o novo levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que elevou para 67,6 milhões de sacas de 60 quilos sua estimativa para a produção brasileira de café em 2026. O volume representa crescimento de 19,6% sobre a temporada anterior e, se confirmado, será recorde na série histórica da companhia.

A perspectiva de uma oferta maior no Brasil segue entre os fatores de pressão sobre as cotações internacionais. Nesta quinta-feira, a nova estimativa da Conab reforçou esse cenário, especialmente para o arábica, cuja produção brasileira deve crescer 34,8% em relação à temporada anterior, com a oferta estimada em 48,2 milhões de sacas, refletindo principalmente a bienalidade positiva e as condições climáticas mais favoráveis ao longo do ciclo.

Apesar do tamanho da safra projetada, porém, as perdas em Nova York foram bastante contidas. O mercado já vinha incorporando às cotações a perspectiva de recuperação importante da produção brasileira, depois das quedas registradas nas últimas semanas.

"O mercado físico brasileiro de arábica continua procurado, com muito interesse comprador para todos os padrões de café. O mercado físico permaneceu calmo, com volume de negócios fechados abaixo do usual para esta época de entrada de uma nova safra no mercado. As fortes oscilações diárias nos contratos de arábica na ICE americana, continuam dificultando o fechamento de um número mais expressivo de negócios", afirmou o diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes.

E o especialista ainda complementou dizendo que "nas últimas semanas, o valor das ofertas recuou no mercado físico brasileiro, acompanhando a queda em Nova Iorque. Os produtores vendem no dia a dia o necessário para cumprir os compromissos mais próximos, que são altos nesta época de final dos trabalhos de colheita e benefício de uma nova safra". 

ROBUSTA TAMBÉM RECUA EM LONDRES

Na Bolsa de Londres, os futuros do robusta também terminaram a sessão em baixa. O novembro/26 perdeu 27 pontos, para US$ 3.290 por tonelada. Janeiro/27 recuou 18 pontos, a US$ 3.272, enquanto março/27 caiu 14 pontos, cotado a US$ 3.260 por tonelada.

A perspectiva de maior disponibilidade brasileira continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o mercado internacional. Além da recuperação do arábica, a Conab estima produção de 19,1 milhões de sacas de conilon, volume 7,9% inferior ao recorde de 2025, mas ainda considerado elevado.

Ao mesmo tempo, o próprio levantamento da companhia aponta que estoques mundiais ainda baixos e crescimento do consumo global podem funcionar como contraponto ao aumento da oferta, ajudando a limitar movimentos mais intensos de queda nos preços.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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