Café dispara mais de 2% em NY nesta 6ª (2), com mercado voltando às preocupações com clima no BR

Publicado em 02/10/2026 07:48
Contrato dezembro se aproxima novamente dos 300 cents/lb; floradas 27 e baixos estoques certificados seguem no radar

Nesta sexta-feira (2), os preços do café arábica voltaram a subir com força na Bolsa de Nova York, recuperando as perdas registradas na sessão anterior, enquanto o mercado mantém as atenções voltadas principalmente para as condições climáticas no Brasil e o desenvolvimento da próxima safra. Perto de 7h35 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 avançava 2,55%, negociado a 295,60 cents por libra-peso. Março/27 subia 2,27%, para 285,95 cents/lbp, enquanto maio/27 ganhava 2,35%, cotado a 282,90 cents/lbp. Julho/27 operava a 280,55 cents/lbp, alta de 2,26%, e setembro/27 avançava 1,85%, para 277,40 cents/lbp.

O movimento representa uma recuperação importante depois da pressão observada na quinta-feira, em um dia no qual a valorização do dólar estimulou liquidação de posições compradas no arábica. A moeda norte-americana voltou a subir frente ao real de forma expressiva na sessão de ontem e superou os R$ 5,20, pesando sobre as commodities, em especial o café. 

O principal foco dos operadores continua sendo o Brasil e o comportamento do clima em um momento decisivo para as floradas que darão origem à safra de 2027.

As preocupações ganharam força nos últimos dias diante das perspectivas de chuvas limitadas em importantes áreas produtoras de arábica, especialmente em Minas Gerais. O mercado monitora não apenas a abertura das floradas, mas principalmente as condições de umidade necessárias para seu pegamento e desenvolvimento.

Nesta quinta-feira, apesar da queda do arábica, esses riscos climáticos continuaram presentes nos fundamentos e o mercado dá sequência a esta atenção nesta sexta-feira. O mercado também acompanha os possíveis efeitos do El Niño sobre o regime de chuvas no cinturão cafeeiro brasileiro nos próximos meses. 

Outro elemento que continua oferecendo sustentação às cotações são os estoques certificados de arábica na ICE, que permanecem historicamente apertados. Em setembro, esses estoques chegaram a tocar mínimas de 27 anos antes de apresentarem alguma recuperação. 

O cenário, porém, continua marcado por forças opostas. De um lado estão as preocupações climáticas brasileiras e os estoques reduzidos; de outro, as perspectivas de uma oferta mundial maior. A  OIC (Organização Internacional do Café) projetou produção mundial recorde de 183,6 milhões de sacas em 2025/26, com um superávit estimado em 3 milhões de sacas — o primeiro em cinco anos. 

É justamente essa disputa entre oferta mais confortável no presente e risco climático para a produção futura que mantém elevada a volatilidade do café. Com a alta desta manhã, o dezembro volta a se aproximar da importante referência dos 300 cents por libra-peso, nível que o mercado havia se afastado após a realização da sessão anterior.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Café dispara mais de 2% em NY nesta 6ª (2), com mercado voltando às preocupações com clima no BR
Café fecha em baixa em NY e físico acompanha pressão em parte das praças nesta 5ª feira
Café fluminense ganha força e movimenta a economia do estado do RJ
Cafezais podem produzir mais e o segredo pode estar debaixo da terra
Sistema Famato destaca avanço da produção de café em Mato Grosso
Café fecha com leve alta em NY nesta 4ª (30); mercado atento aos riscos climáticos no Brasil