El Niño reforça a importância de proteger a planta: tecnologia de proteção solar da Synkka busca conforto para o cafeeiro e rentabilidade para o produtor
A expectativa de influência do El Niño na próxima safra recoloca o clima no centro das decisões de manejo na cafeicultura. Associado a temperaturas mais elevadas e à distribuição irregular das chuvas em diversas regiões produtoras, o fenômeno tende a ampliar o estresse sobre o cafeeiro, cultura sensível às oscilações do tempo em fases decisivas, como a florada, a formação dos frutos e o enchimento dos grãos.
Para Ithamar Prada, engenheiro agrônomo e CEO da Synkka, o desafio vai além de “passar pelo evento climático”. “O café é uma cultura perene, e o que acontece com a planta em um ciclo pode refletir na safra seguinte. Quando o clima foge do padrão, o produtor precisa pensar no cafeeiro como um sistema, e não apenas em uma safra isolada”, afirma.
Desafios do clima
Períodos de calor intenso e de falta de água podem comprometer o pegamento da florada, reduzir o desenvolvimento dos frutos e afetar tanto a produtividade quanto a qualidade da bebida. Em anos de maior variabilidade, decisões tomadas com antecedência tendem a pesar mais no resultado final.
“Não existe estratégia que elimine o efeito do clima, mas existe preparo. Uma planta bem nutrida, com o metabolismo funcionando de forma equilibrada, responde melhor ao estresse e tem mais condição de manter o desenvolvimento mesmo quando o ambiente não ajuda”, explica Prada.
Proteção solar para a planta
É nesse contexto que ganha destaque uma das principais tecnologias desenvolvidas pela Synkka: uma solução de proteção solar para as plantas. Trata-se de uma tecnologia proprietária, que já tem pedido de patente depositado e que traz o know-how dos fundadores da empresa, com mais de uma década de atuação em soluções para recobrimento de superfícies e nanotecnologia, agora aplicado às necessidades da lavoura.
Segundo experimentos realizados por universidades e consultorias, a tecnologia contribui para reduzir o estresse das plantas, melhorar parâmetros bioquímicos, aumentar a produtividade e elevar a qualidade da bebida. “Quando a planta está mais confortável, ela se desenvolve melhor, e isso aparece nos parâmetros bioquímicos, na produtividade e na qualidade do café na xícara. É uma tecnologia que nasce de mais de dez anos de experiência dos nossos fundadores com nanotecnologia e recobrimento, levada para dentro da realidade do produtor”, destaca Prada.
Na avaliação do executivo, a lógica econômica também precisa entrar na conta. “O produtor está sob pressão de custos e não pode errar o investimento. A pergunta não é quanto custa o insumo, e sim quanto ele ajuda a proteger a produtividade e a rentabilidade da lavoura quando o clima exige mais da planta.”
Um portfólio pensado para a realidade do campo
A proteção solar faz parte de um portfólio de 11 tecnologias proprietárias, distribuídas em cinco linhas: solo, tratamento de sementes, nutrição foliar, adaptação climática e adjuvantes. Três delas já têm pedidos de patente depositados. A linha de adaptação climática foi concebida para aumentar a resiliência das plantas diante de eventos extremos, como os efeitos esperados do El Niño, enquanto os fertilizantes foliares, formulados para disponibilizar nutrientes de forma gradual, buscam ampliar a eficiência agronômica.
O desenvolvimento das soluções passou por pesquisa e validação em diferentes culturas e condições de cultivo. Segundo dados levantados pela própria empresa, os ensaios registraram ganho médio de 7% em produtividade, com 96% de respostas positivas. “Nosso compromisso é com o que a tecnologia entrega dentro da fazenda. Não adianta uma boa ideia que não se sustenta na lavoura, principalmente em safras desafiadoras”, afirma Prada.
Objetivos e expansão
A Synkka iniciou sua operação comercial com as tecnologias já disponíveis para a safra 2026/2027 e aposta na validação direta como estratégia de entrada no mercado: uma campanha para que 100 produtores rurais utilizem as soluções em suas próprias áreas e avaliem os resultados nas condições reais de cada propriedade. A atuação começa concentrada na região Sudeste e nas principais áreas agrícolas do Cerrado, com perspectiva de expansão para outros polos produtivos do país e do mundo. A empresa projeta alcançar mais de 1 milhão de hectares atendidos e R$ 300 milhões em faturamento até 2030.
“Queremos construir uma relação de longo prazo com o produtor, baseada em resultado e em confiança. Em um cenário de clima mais imprevisível, nosso papel é entregar tecnologia que ajude a planta a se desenvolver melhor e o produtor a manter a rentabilidade”, conclui Prada.