Café dispara quase 4% em Nova York com riscos climáticos e físico sobe até 4,7% no Brasil

Publicado em 16/10/2026 17:19
Preocupações com clima voltam ao radar enquanto mercado brasileiro acompanha avanço mesmo com dólar em queda

 

Os futuros do café arábica encerraram a sessão desta 6ª feira (16) com fortes altas na Bolsa de Nova York, recuperando as perdas do pregão anterior e voltando a incorporar prêmio de risco diante das incertezas climáticas nas principais regiões produtoras. O dezembro/26 fechou com alta de 3,92%, a 306,35 cents/lb, depois de alcançar 311,30 cents/lb na máxima do dia. Março/27 avançou 3,21%, para 294,50 cents/lb. O dezembro havia encerrado a sessão anterior a 294,80 cents/lb, acumulando assim ganho de 11,55 cents nesta 6ª feira.

O clima voltou ao centro das atenções em um momento particularmente sensível para a formação da próxima safra brasileira. O mercado acompanha as condições de umidade durante a fase de floradas e pegamento, ao mesmo tempo em que monitora os possíveis impactos do El Niño sobre importantes regiões produtoras.

Essa leitura, porém, continua acompanhada por sinais contraditórios. As chuvas recentes em importantes áreas produtoras do Brasil melhoraram as condições para a florada, enquanto no Vietnã as precipitações também favoreceram a umidade dos solos e o desenvolvimento dos frutos. Esses fundamentos haviam contribuído para pressionar as cotações na sessão anterior. 

Por outro lado, as preocupações com os efeitos do El Niño e com a disponibilidade de café arábica continuam oferecendo suporte ao mercado. Os estoques certificados da ICE permanecem historicamente reduzidos, apesar da recuperação observada em relação às mínimas registradas em setembro. 

A volatilidade, portanto, permanece elevada, com o mercado tentando equilibrar as melhores condições recentes para as lavouras com o risco climático para os próximos meses e a disponibilidade mais apertada de café imediatamente disponível.

Mercado brasileiro acompanha NY 

No Brasil, a forte valorização de Nova York também chegou ao mercado físico nesta 6ª feira, mesmo com o dólar recuando 0,28%, a R$ 5,07, movimento que, isoladamente, tende a limitar a sustentação das cotações domésticas.

Para o café arábica tipo 6, bebida dura bica corrida, as altas chegaram a 4,71% em Machado (MG), com a saca a R$ 1.780,00. Em Franca (SP), o avanço foi de 4,24%, para R$ 1.720,00, enquanto Guaxupé (MG) registrou valorização de 3,39%, a R$ 1.709,00. Varginha (MG) teve alta de 3,09%, com a saca a R$ 1.670,00, e Araguari (MG) avançou 2,94%, para R$ 1.750,00. Em Campos Gerais (MG), a valorização foi de 1,82%, a R$ 1.680,00.

O movimento também apareceu no café cereja descascado. Em Guaxupé, a saca chegou a R$ 1.787,00, alta de 3,41%, enquanto Varginha registrou R$ 1.750,00, avanço de 2,94%. Em Campos Gerais, a valorização foi de 1,75%, para R$ 1.740,00.

A reação do físico, apesar da queda do dólar, reforça o peso que a valorização externa exerceu sobre a formação dos preços nesta 6ª feira. Em Nova York, dezembro chegou a oscilar 12,95 cents/lb entre a mínima de 298,35 e a máxima de 311,30 cents/lb, antes de encerrar acima dos 306 cents/lb.  Para o produtor brasileiro, o encerramento da semana deixa, portanto, preços mais firmes no físico, Nova York novamente acima dos 300 cents/lb e um mercado que continua extremamente sensível a qualquer mudança nas previsões climáticas para as principais origens produtoras.

Fonte: Notícias Agrícolas

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