Café reduz parte das perdas em Nova York, mas arábica e robusta seguem em queda nesta terça-feira
Os preços internacionais do café permanecem em queda nas bolsas de Nova York e Londres nesta terça-feira (20), embora parte das perdas observadas na abertura tenha sido reduzida ao longo da manhã. O movimento ocorre após a forte valorização registrada na sessão anterior, quando o arábica avançou mais de 3% e o robusta ganhou mais de 2%.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do café arábica era negociado a 313,40 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com desvalorização de 0,73%. O março/27 recuava 0,48%, cotado a 300,80 cents, enquanto o maio/27 perdia 0,37%, valendo 296,35 cents por libra-peso.
Na abertura, o dezembro/26 chegou a ser negociado a 313,00 cents por libra-peso, com queda de 0,86%. O movimento indica uma recuperação parcial, embora os principais contratos ainda permaneçam em território negativo.
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o café robusta também registra desvalorizações. Na atualização das 9h31 no horário da plataforma, o contrato novembro/26 era negociado a US$ 3.447 por tonelada, com perda de US$ 37. O janeiro/27 recuava US$ 35, cotado a US$ 3.445, enquanto o março/27 perdia US$ 28, valendo US$ 3.430 por tonelada.
Estoques certificados continuam entre os fatores de atenção
As oscilações ocorrem após duas sessões de recuperação expressiva dos contratos de café, sustentadas por preocupações com a disponibilidade do produto nos estoques certificados da Bolsa de Nova York.
Segundo informações da Reuters, os estoques certificados de arábica estavam em 240.767 sacas na última referência divulgada, próximos da mínima registrada em setembro, de 217.646 sacas, o menor patamar em aproximadamente 27 anos.
Operadores continuam atentos à possibilidade de que os carregamentos brasileiros não cheguem a tempo de recompor os estoques certificados antes do vencimento do contrato dezembro.
Em entrevista concedida ao Notícias Agrícolas na segunda-feira, Vicente Zotti, da NRT, avaliou que a valorização recente do arábica está mais relacionada à cobertura de posições vendidas do que propriamente a uma nova percepção de risco climático.
O especialista destacou que a disponibilidade limitada nos armazéns certificados pode ampliar a pressão sobre agentes que precisam encerrar posições vendidas, contribuindo para uma valorização dos contratos futuros superior à observada no mercado físico.
Clima e exportações também são acompanhados
No Brasil, as previsões meteorológicas indicam possibilidade de aumento das chuvas em áreas do cinturão cafeeiro do Sudeste a partir de quinta-feira (22), especialmente em São Paulo e no Sul de Minas.
Segundo informações da World Weather reproduzidas pela Terra Investimentos, a distribuição das precipitações deve continuar irregular em algumas áreas produtoras mais ao norte, incluindo regiões da Bahia e do norte de Minas Gerais.
No mercado de robusta, a oferta brasileira também permanece em evidência. Dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) mostram que as exportações de café pelo Espírito Santo superaram 5 milhões de sacas entre janeiro e setembro de 2026, com o conilon respondendo por 4,22 milhões de sacas.
O desempenho reforça a importância do Brasil no abastecimento internacional, enquanto o mercado acompanha as perspectivas climáticas para as próximas safras de robusta no Vietnã, na Indonésia e nas regiões produtoras brasileiras.