Café fecha sexta-feira em queda, mas arábica dezembro acumula alta semanal de 0,61%; robusta perde mais de 5% em Londres
Os preços internacionais do café encerraram a sexta-feira (23) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, prolongando a pressão observada nos últimos pregões. Entretanto, o balanço semanal mostrou comportamentos distintos entre as variedades: enquanto o arábica dezembro/26 conseguiu preservar uma pequena valorização, os contratos de robusta acumularam perdas expressivas, em um mercado atento à disponibilidade para entrega imediata e às perspectivas de aumento da oferta internacional.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica fechou cotado a 307,45 cents por libra-peso, com desvalorização de 5 pontos, equivalente a 1,60%. O março/27 perdeu 4,05 pontos, encerrando a 293,40 cents, enquanto o maio/27 recuou 3,45 pontos, valendo 289,00 cents por libra-peso. O julho/27 terminou negociado a 285,90 cents, com queda de 3,10 pontos.
O movimento encerrou uma semana de forte volatilidade para o arábica. Na segunda-feira, o vencimento dezembro havia avançado 3,31%, alcançando 315,70 cents por libra-peso, em meio às preocupações com os estoques certificados reduzidos e às movimentações dos investidores. Nos pregões seguintes, porém, as cotações alternaram altas e baixas, chegando à sexta-feira novamente pressionadas pelas expectativas de recuperação da disponibilidade internacional.
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o robusta encerrou mais uma sessão negativa. O contrato novembro/26 caiu US$ 60, fechando a US$ 3.228 por tonelada, desvalorização de 1,82%. O janeiro/27 recuou US$ 59, para US$ 3.242, enquanto o março/27 perdeu US$ 45 e terminou cotado a US$ 3.229 por tonelada. O maio/27 também apresentou queda, de US$ 40, encerrando a US$ 3.219.
No acumulado da semana, o arábica dezembro/26 apresentou valorização de 0,61% em relação à sexta-feira anterior, quando havia encerrado a 305,60 cents por libra-peso. Os vencimentos março e maio de 2027, entretanto, registraram perdas de 0,37% e 0,52%, respectivamente. Em Londres, a pressão foi mais generalizada: o robusta novembro/26 acumulou queda de 5,45%, enquanto janeiro/27 e março/27 recuaram 4,79% e 4,41%, na mesma comparação.
Estoques certificados e oferta futura seguem no centro das atenções
A evolução dos estoques nas bolsas internacionais continua sendo um dos principais fatores acompanhados pelos operadores. Segundo análise da Barchart, os estoques certificados de robusta em Londres alcançaram 6.488 lotes na quinta-feira (22), maior patamar em aproximadamente 13 meses. A recuperação da disponibilidade ocorre às vésperas da entrada de novos volumes da safra vietnamita no mercado internacional, reforçando as perspectivas de abastecimento para os próximos meses.
Em Nova York, o cenário permanece diferente. Embora os estoques certificados de arábica tenham apresentado entradas recentes, a disponibilidade continua historicamente reduzida, próxima da mínima de 27 anos registrada em setembro. Essa condição mantém os contratos sensíveis ao ritmo de chegada de café aos armazéns credenciados e à aprovação dos carregamentos destinados à entrega na bolsa.
O relatório semanal da Terra Agro Insights também destacou o comportamento dos diferenciais entre contratos futuros. Segundo o levantamento, a diferença entre os vencimentos dezembro/26 e março/27 do arábica passou de 7,15 cents por libra-peso em 12 de outubro para 15 cents em 22 de outubro. O aumento do prêmio do contrato mais próximo é um sinal de maior valorização da disponibilidade imediata em relação às entregas posteriores, embora não permita atribuir o movimento exclusivamente à situação dos estoques certificados.
No Brasil, as exportações continuam em recuperação. Conforme dados do Cecafé apresentados pela Terra Agro Insights, os embarques alcançaram aproximadamente 3,30 milhões de sacas até 22 de outubro, volume 43,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A aceleração das vendas externas reforça a expectativa de maior disponibilidade de café brasileiro nos mercados consumidores, mas o processo de recomposição dos estoques depende dos prazos de transporte, recebimento e classificação do produto.
As condições climáticas também permanecem no radar. No Brasil, as previsões indicam aumento das chuvas entre Paraná, São Paulo e Sul de Minas Gerais durante o fim de semana, enquanto regiões mais ao norte do cinturão cafeeiro ainda apresentam precipitações irregulares. No Vietnã e na Indonésia, os possíveis impactos do El Niño sobre as próximas safras de robusta continuam sendo acompanhados, especialmente diante dos riscos de restrição hídrica.
Com esses fatores, o café encerra a semana dividido entre a baixa disponibilidade de arábica certificado no curto prazo e as expectativas de maior oferta internacional nos próximos meses. A confirmação da produção nas principais origens e a velocidade de recomposição dos estoques seguirão determinantes para o comportamento das cotações.