Café inicia segunda-feira com quedas de 2% em Nova York e Londres e arábica se aproxima dos 300 cents
Os preços internacionais do café iniciaram a segunda-feira (26) com fortes quedas nas bolsas de Nova York e Londres, prolongando a pressão observada nos últimos pregões da semana passada. O arábica opera com desvalorizações superiores a 2% nos principais contratos, enquanto o robusta também apresenta perdas expressivas, em um mercado que acompanha as expectativas de maior disponibilidade internacional e a evolução dos estoques certificados.
Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 301,30 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com queda de 2%. O março/27 recuava 2,08%, cotado a 287,30 cents, enquanto o maio/27 perdia 2,18%, para 282,70 cents por libra-peso. O julho/27 apresentava baixa de 1,96%, negociado a 280,30 cents.
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o robusta também seguia pressionado. Na atualização das 5h32, conforme o horário indicado pela plataforma Barchart, o contrato janeiro/27 recuava US$ 78 por tonelada, para US$ 3.164, desvalorização de aproximadamente 2,41%. O novembro/26 perdia US$ 85, negociado a US$ 3.143, enquanto o março/27 apresentava baixa de US$ 71, cotado a US$ 3.158 por tonelada.
O movimento amplia a sequência negativa observada no encerramento da semana passada. Na sexta-feira (23), o arábica dezembro havia fechado a 307,45 cents por libra-peso, com queda diária de 1,60%, embora ainda acumulasse uma pequena valorização semanal de 0,61%. Em Londres, o robusta novembro encerrou a semana anterior com perda acumulada de 5,45%, refletindo uma pressão mais intensa sobre essa variedade.
Estoques e perspectivas de oferta continuam no centro das atenções
A evolução dos estoques certificados permanece como um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado. Em Nova York, a disponibilidade de arábica segue próxima de patamares historicamente reduzidos, mesmo após algumas entradas recentes nos armazéns credenciados. Essa condição mantém a atenção sobre o volume de café disponível para entrega nos contratos mais próximos.
Em Londres, o cenário é diferente. O aumento dos estoques certificados de robusta e a aproximação da entrada da nova safra vietnamita no mercado internacional têm reforçado as expectativas de melhora do abastecimento nos próximos meses.
No Brasil, as exportações também apresentam recuperação. Segundo levantamento do Cecafé divulgado na semana passada e reunido pela Terra Agro Insights, os embarques brasileiros haviam alcançado aproximadamente 3,30 milhões de sacas até 22 de outubro, crescimento de 43,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As perspectivas para a próxima produção brasileira também seguem no radar. Em relatório publicado em 19 de outubro, o Rabobank destacou que condições climáticas mais favoráveis nas principais origens produtoras ampliaram a possibilidade de recuperação dos estoques globais de café nos próximos ciclos. A instituição, entretanto, ressaltou que o balanço entre oferta e demanda permanece sujeito a incertezas, especialmente relacionadas ao clima e ao desenvolvimento das lavouras.
Para os próximos pregões, os operadores continuarão acompanhando a recuperação dos estoques certificados, o desempenho das exportações brasileiras e as condições climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil e da Ásia. Esses fatores serão importantes para avaliar se a pressão recente poderá continuar ou se a disponibilidade limitada de arábica oferecerá sustentação às cotações.