Café fecha segunda-feira com queda de mais de 2% em Nova York; robusta também recua em Londres
Os preços internacionais do café encerraram a segunda-feira (26) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, prolongando a pressão observada nos últimos pregões. O arábica chegou a perder o patamar dos 300 cents por libra-peso durante a sessão, mas recuperou parte das perdas antes do fechamento, enquanto o robusta também terminou o dia desvalorizado, em um mercado atento às perspectivas de disponibilidade internacional.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica fechou cotado a 300,95 cents por libra-peso, com queda de 6,50 pontos, equivalente a 2,11%. O março/27 perdeu 8,20 pontos, encerrando a 285,20 cents, enquanto o maio/27 recuou 8,35 pontos, para 280,65 cents por libra-peso.
Durante a manhã, a pressão chegou a ser mais intensa. Por volta das 12h (horário de Brasília), o dezembro/26 era negociado a 299,75 cents, com desvalorização de 2,50%, enquanto os contratos março e maio de 2027 apresentavam perdas próximas de 3%. A recuperação parcial até o encerramento permitiu que o vencimento mais próximo voltasse a superar a marca dos 300 cents, embora sem reverter o resultado negativo do pregão.
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o robusta também terminou em queda. O contrato novembro/26 perdeu US$ 34, encerrando cotado a US$ 3.194 por tonelada, desvalorização de 1,05%. O janeiro/27 recuou US$ 41, para US$ 3.201, enquanto o março/27 também perdeu US$ 41 e fechou a US$ 3.188 por tonelada. O maio/27 terminou cotado a US$ 3.177, com baixa de US$ 42.
Apesar das perdas, o robusta apresentou recuperação em relação aos menores valores observados durante a manhã. O janeiro/27, que havia chegado à região de US$ 3.164 por tonelada nas primeiras horas de negociação, encerrou a sessão a US$ 3.201, reduzindo a intensidade da desvalorização diária.
Perspectivas de oferta continuam no centro das atenções
A evolução dos estoques certificados nas bolsas internacionais permanece como um dos principais indicadores acompanhados pelos operadores. Em Nova York, a disponibilidade de arábica segue historicamente reduzida, mantendo o mercado sensível ao ritmo de chegada e aprovação de novos carregamentos nos armazéns credenciados.
O cenário em Londres é diferente. A recuperação dos estoques certificados de robusta e a aproximação da entrada da nova safra vietnamita no mercado internacional continuam alimentando expectativas de maior disponibilidade nos próximos meses. O movimento contribui para a atenção dos operadores às condições de abastecimento, embora não explique isoladamente as perdas registradas nesta segunda-feira.
No Brasil, as exportações também apresentam recuperação. Segundo levantamento do Cecafé reunido pela Terra Agro Insights, os embarques haviam alcançado aproximadamente 3,30 milhões de sacas até 22 de outubro, crescimento de 43,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A maior presença do café brasileiro no mercado internacional pode favorecer a recomposição da disponibilidade nos países consumidores, embora não represente aumento imediato dos estoques certificados nas bolsas.
As perspectivas climáticas para o próximo ciclo produtivo também seguem no radar. No Brasil, as chuvas recentes favoreceram o desenvolvimento inicial das lavouras em diferentes regiões produtoras, mas ainda existem preocupações relacionadas à irregularidade das precipitações e às temperaturas elevadas. Na Ásia, os operadores acompanham o desenvolvimento das próximas safras do Vietnã e da Indonésia, especialmente diante das incertezas associadas ao El Niño.
Com isso, o café encerra o primeiro pregão da semana pressionado nas duas bolsas internacionais, mas com alguma recuperação das cotações em relação aos menores níveis registrados ao longo do dia. A evolução dos estoques certificados, das exportações e das condições climáticas seguirá entre os principais fatores de atenção para os próximos pregões.