Café reduz perdas em Nova York, enquanto robusta amplia ganhos em Londres nesta quarta-feira
Os preços futuros do café apresentavam movimentos distintos nas bolsas internacionais na tarde desta quarta-feira (4). Em Nova York, o arábica recuperou parte das perdas registradas durante a manhã, embora os principais vencimentos continuassem no campo negativo. Em Londres, o robusta ampliou os ganhos observados na abertura, com valorizações próximas de 1%, em um mercado que segue acompanhando os estoques certificados, o comportamento cambial e as perspectivas de oferta nas principais regiões produtoras.
Por volta das 14h05 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 do arábica era negociado a 282,55 cents por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), com recuo de 1,40 cent, equivalente a 0,49%. O março/27 perdia 1,55 cent, cotado a 273,05 cents, enquanto o maio/27 apresentava baixa de 1,75 cent, para 269,20 cents. O julho/27 recuava 1,75 cent, negociado a 266,65 cents por libra-peso.
As perdas diminuíram em relação à abertura, quando o dezembro/26 era negociado a 280,40 cents por libra-peso, com desvalorização de 1,25%. Durante a sessão, o vencimento chegou a alcançar a mínima de 277,40 cents, mas encontrou espaço para uma recuperação parcial ao longo das negociações.
Apesar da melhora, os preços ainda permaneciam abaixo dos ajustes de terça-feira (3), quando o dezembro/26 encerrou o pregão a 283,95 cents por libra-peso, com queda de 2,79%.
Robusta amplia valorização em Londres
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os futuros do café robusta apresentavam desempenho mais favorável, ampliando as valorizações registradas no início da sessão.
O contrato janeiro/27 era negociado a US$ 3.237 por tonelada, com ganho de US$ 27, equivalente a 0,84%. O março/27 também avançava US$ 27, cotado a US$ 3.217 por tonelada, enquanto o maio/27 registrava valorização de US$ 26, para US$ 3.210. O julho/27 subia US$ 19, negociado a US$ 3.194 por tonelada.
Durante a manhã, o janeiro/27 havia apresentado uma valorização de apenas US$ 4, negociado a US$ 3.214 por tonelada. Desde então, os ganhos ganharam intensidade, contrastando com o comportamento ainda negativo dos futuros de arábica.
A recuperação do robusta acontece depois de uma terça-feira marcada por perdas nas duas bolsas, quando o janeiro/27 encerrou a sessão em Londres a US$ 3.210 por tonelada.
Exportações brasileiras e estoques seguem no radar
O mercado internacional continua acompanhando a disponibilidade de café para exportação e as perspectivas de recomposição dos estoques certificados nas bolsas.
Em análise divulgada nesta quarta-feira, a Sucafina destacou a melhora das indicações de embarques brasileiros em outubro, apontando a possibilidade de volumes expressivos de exportação tanto de arábica quanto de robusta.
Segundo a empresa, a chegada de maiores quantidades de café brasileiro aos mercados consumidores pode contribuir para a recomposição dos estoques disponíveis, inclusive nas estruturas certificadas da ICE, dependendo das condições de entrega e classificação do produto.
A perspectiva acrescenta um elemento de atenção às avaliações sobre a oferta internacional, especialmente depois de um período de disponibilidade reduzida de café certificado.
Em Nova York, os estoques de arábica permanecem próximos dos menores níveis registrados em quase três décadas, enquanto volumes adicionais de café brasileiro aguardam procedimentos de classificação para eventual incorporação aos estoques certificados.
A disponibilidade restrita pode oferecer sustentação aos preços, mas a perspectiva de novas entradas de produto também influencia as expectativas dos operadores.
O comportamento do real frente ao dólar continua sendo acompanhado pelo mercado, especialmente depois de a desvalorização da moeda brasileira ter sido apontada como um dos fatores de pressão sobre as cotações na terça-feira.
Produtores acompanham volatilidade e perspectivas da próxima safra
Além das oscilações cambiais e dos estoques, as condições de desenvolvimento das próximas safras permanecem relevantes para as expectativas de oferta global.
No Brasil, a distribuição das chuvas nas principais regiões cafeeiras continua sendo acompanhada para avaliar o potencial produtivo de 2027. No Vietnã, o avanço da colheita de robusta também deverá acrescentar novas referências sobre a disponibilidade internacional do produto.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas na terça-feira, o trader Fabiano Teixeira Odebrecht destacou que os estoques reduzidos ainda representam um fator importante de sustentação para o mercado, especialmente diante de possíveis problemas de produção nos próximos ciclos.
Na avaliação do especialista, a volatilidade das bolsas não elimina as oportunidades de comercialização para os cafeicultores brasileiros, que devem acompanhar os preços e considerar estratégias de venda escalonada.
Para os produtores, a recuperação parcial do arábica e a valorização do robusta nesta quarta-feira mostram que o mercado continua apresentando movimentos distintos entre as variedades. A evolução das cotações até o fechamento, o comportamento cambial e as condições efetivas do mercado físico permanecerão determinantes para as oportunidades de negociação.