Café fecha abaixo dos 280 cents em Nova York nesta 4ªfeira com perspectiva de exportações brasileiras maiores; robusta sobe em Londres

Publicado em 04/11/2026 16:34
Arábica dez/26 recua 1,48% e acumula 2ª sessão de perdas; estoques certificados reduzidos continuam como contraponto

Os preços futuros do café encerraram a quarta-feira (4) em direções opostas nas bolsas internacionais. Em Nova York, o arábica registrou o segundo pregão consecutivo de perdas, com o contrato dezembro/26 terminando abaixo dos 280 cents por libra-peso, pressionado pelas expectativas de maiores exportações brasileiras e de recomposição da oferta internacional. Em Londres, o robusta apresentou recuperação, encerrando o dia com valorizações superiores a 0,50% nos principais vencimentos.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica fechou cotado a 279,75 cents por libra-peso, com queda de 4,20 cents, equivalente a 1,48%. O março/27 perdeu 3,70 cents, terminando a 270,90 cents, enquanto o maio/27 recuou 3,80 cents, para 267,15 cents. O julho/27 encerrou a sessão a 264,75 cents por libra-peso, com desvalorização de 3,65 cents.

A pressão chegou a ser mais intensa durante a manhã, quando o dezembro/26 alcançou a mínima de 277,40 cents por libra-peso. Ao longo da sessão, os preços recuperaram parte das perdas e o contrato chegou a negociar acima dos 282 cents, mas voltou a perder força até o encerramento.

O resultado prolongou a desvalorização registrada na terça-feira (3), quando o mesmo vencimento havia recuado 2,79%. Considerando os dois últimos pregões, o dezembro/26 acumulou perda de 12,35 cents por libra-peso, equivalente a 4,23%, devolvendo a recuperação observada no início de novembro.

Robusta recupera parte das perdas e fecha em alta em Londres

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os contratos futuros do café robusta apresentaram comportamento contrário ao observado em Nova York, encerrando a quarta-feira com valorizações.

O janeiro/27 fechou cotado a US$ 3.228 por tonelada, com ganho de US$ 18, equivalente a 0,56%. O março/27 também avançou US$ 18, terminando a US$ 3.208, enquanto o maio/27 subiu US$ 16, para US$ 3.200 por tonelada. O julho/27 registrou valorização de US$ 15, encerrando a US$ 3.190.

A recuperação ocorreu depois das perdas registradas na terça-feira, quando o janeiro/27 havia recuado 0,96%. Durante a sessão desta quarta-feira, o contrato chegou a alcançar US$ 3.247 por tonelada, mas devolveu parte dos ganhos antes do fechamento.

Apesar da valorização, o mercado de robusta continua acompanhando o avanço da colheita vietnamita, as perspectivas de embarques e o comportamento dos estoques certificados em Londres.

Expectativas de exportações brasileiras maiores pressionam arábica

Entre os fundamentos acompanhados pelo mercado nesta quarta-feira, ganharam destaque as perspectivas de maior disponibilidade de café brasileiro para exportação.

Em análise divulgada pelo Barchart, as expectativas de ampliação dos embarques brasileiros foram apontadas como fator de pressão sobre os contratos internacionais, diante da possibilidade de aumento da oferta disponível nos mercados consumidores.

O movimento também ocorre em um cenário de volatilidade cambial. A desvalorização recente do real frente ao dólar aumentou a atratividade potencial das vendas externas, uma vez que os exportadores podem obter maior receita em moeda nacional pelas operações denominadas em dólares.

Entretanto, o aumento da competitividade cambial não significa necessariamente que novas vendas tenham sido concretizadas em volumes suficientes para explicar isoladamente a movimentação desta quarta-feira.

A perspectiva de recuperação da disponibilidade brasileira também aparece nas análises do Rabobank. Em relatório recente, a instituição destacou a possibilidade de recomposição dos estoques internacionais diante de melhores condições produtivas em importantes origens, incluindo Brasil, Vietnã e Indonésia.

O banco ressalta, entretanto, que o equilíbrio entre oferta e demanda ainda apresenta incertezas relevantes, especialmente em relação às condições climáticas e à confirmação das próximas safras.

Estoques reduzidos continuam oferecendo contraponto

Apesar das perspectivas de maior oferta, os estoques certificados de café arábica na Intercontinental Exchange (ICE) permanecem em patamares historicamente reduzidos.

Na terça-feira (3), o volume certificado em Nova York estava próximo de 220 mil sacas, ainda muito próximo das menores referências registradas em quase três décadas.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha a chegada de café brasileiro aos armazéns credenciados da bolsa. Parte desses volumes aguarda procedimentos de classificação antes de poder ser incorporada aos estoques certificados, o que mantém a possibilidade de recuperação gradual da disponibilidade.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas na terça-feira, o trader de café Fabiano Teixeira Odebrecht avaliou que os estoques restritos e a demanda internacional elevada continuam representando fatores importantes de sustentação para o mercado.

"Eu acho que qualquer problema que a gente venha a ter nessas safras de café, na produção de café, o mercado tende a reagir para mais", afirmou.

O especialista também defendeu uma estratégia de comercialização escalonada pelos produtores brasileiros, considerando que os atuais preços internacionais ainda representam oportunidades, apesar da volatilidade.

Para os cafeicultores, a nova queda em Nova York mantém a atenção sobre a formação dos preços domésticos, especialmente diante do comportamento cambial e das condições regionais de comercialização.

A evolução das exportações brasileiras, a recomposição dos estoques certificados e o desenvolvimento das próximas safras deverão permanecer entre os principais fatores acompanhados pelos operadores, enquanto o mercado busca definir se a pressão recente sobre o arábica terá continuidade.

Fonte: Notícias Agrícolas

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