Mapa quer estabelecer qualidade mínima para o café

Publicado em 19/03/2010 14:39 755 exibições
Assunto é tratado em nova norma técnica que será discutida pelo Ministério com industriais do setor no próximo dia 22

Os brasileiros podem ficar tranquilos quanto à qualidade do cafezinho, bebida consumida por 94% da população com mais de 15 anos, segundo dados da Abic - Associação Brasileira da Indústria de Café. Isso porque o Mapa - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está discutindo a publicação de uma norma técnica exigindo uma qualidade mínima para o produto. O assunto vai ser o tema de um debate, a ser realizado na segunda-feira (22), a partir das 07h45, no edifício Findes, entre representantes do Ministério e membros da cadeia produtiva de café do Espírito Santo.

O encontro é fruto de uma parceria entre Abic e Sincafé - Sindicato da Indústria de Torrefação e Moagem de Café do Espírito Santo. O objetivo é adequar a cadeia local às novas normas de regulamentação e aprimorar a qualidade do café produzido no Espírito Santo.

O evento será realizado durante todo o dia, e terá palestras com representantes da diretoria da Abic, entre eles o diretor executivo da instituição, Nathan Herszkowicz. "Vamos debater o papel de cada integrante da cadeia, desde o produtor rural aos industriais, para que o produto chegue ao consumidor com a maior qualidade possível", destaca o presidente do Sincafé, Egídio Malanquini.

Norma

A norma que vem sendo elaborada pelo Mapa classifica os cafés numa escala de 0 a 10 e estabelece que 4 é a nota mínima para que o produto possa ser comercializado. A classificação será obtida através de critérios como acidez, que deve ser menor que 1%, e umidade de no máximo 13%, no caso dos grãos. Para o café torrado, serão levados em consideração fatores como o ponto de torra e o limite de água de resfriamento.

Segundo Egídio Malanquini, um dos termos da norma técnica que será questionado pela indústria é sobre quem será responsabilizado pela qualidade do café. "O produtor deve atender as exigências mínimas já no cultivo, senão a qualidade do produto estará comprometida. Para isso, é preciso treinar e capacitar os cafeicultores", disse.

Malanquini também acredita que deveria haver uma capacitação dos produtores rurais antes da criação desta política. "Se o café não for fornecido já com a qualidade mínima exigida, a indústria terá que procurar outros fornecedores, o que pode acarretar na escassez do produto", declarou.

A norma técnica ainda está em processo de audiência pública. A previsão é de que esteja finalizada no mês de maio.

Programa de Qualidade do Café

Na terça-feira, dia 23, às 07h45, também na Findes, será realizado um café da manhã para oficializar o lançamento do Programa de Qualidade do Café (PQC) no Espírito Santo, com a assinatura de um Termo de Cooperação Técnica.

O Termo será assinado pelas indústrias e toda a cadeia produtiva do segmento de café do Estado, pela Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Sindicato da Indústria de Panificação do Estado (Sindipães), Sindicatos dos Restaurantes, Bares e Similares do Estado (Sindbares) e Sindicato de Hotéis e Meios de Hospedagens do Estado (Sindihotéis). Estarão presentes representantes do governo estadual, da secretaria de agricultura, da Assembleia Legislativa, prefeitos da região de montanhas e produtores de cafés de qualidade.

O programa foi criado pela Abic em 2004 para ampliar continuamente o consumo do café, através da oferta de cafés diversificados e garantindo boas práticas nos processos de fabricação.

Uma das finalidades do PQC é informar a qualidade do café que está sendo vendido, além de permitir que o consumidor identifique o tipo de grão utilizado por cada marca, e com isso escolher o sabor que mais agrada. "Para as indústrias, é muito importante a participação neste programa porque as fábricas que atenderem suas especificações estarão automaticamente enquadradas nas novas resoluções estabelecidas pelo Mapa", disse Egídio Malanquini.

A classificação no PQC é obtida através de auditorias nas instalações, que consiste na avaliação de itens como infraestrutura, processos de compra, armazenamento e blendagem, e análises químicas e de degustação.

A análise química identifica sete características do produto: bebida (rio, dura ou mole), sabor (suave ou intenso), corpo (leve ou encorpado), aroma (suave ou intenso), tipo de café (arábica ou conilon), moagem e torrefação. Dependendo do desempenho obtido nos testes, o café pode ser classificado em quatro categorias: não recomendável para o consumo, tradicional, superior e gourmet.

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ES Hoje

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