Carvalhaes analisa mercado cafeeiro: escassez e dólar alto sustentam preços

Publicado em 08/05/2010 10:44 1192 exibições

 

O agravamento da crise na Grécia trouxe novamente um clima de pânico aos mercados, que lembrou, ontem, o caos financeiro mundial de 2008. As bolsas ao redor do mundo desabaram, e no Brasil o dólar subiu quase 6% frente ao real. No café, as bolsas caíram acompanhando os demais mercados, mas o físico no Brasil se sustentou com a escassez de estoque e a valorização do dólar. O arábica de melhor qualidade continuou com muita procura e os negócios que saíram foram nas mesmas bases da semana anterior.
O fato do Brasil já ser responsável por mais de 40% das exportações mundiais de café arábica e, somando-se o consumo interno brasileiro, por mais de 50% do arábica consumido no mundo, aliado à crescente aceitação, deslocando outras origens, dos cafés brasileiros de qualidade pelos principais compradores mundiais, levou a bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US) a comunicar que está considerando a possibilidade de adicionar o café arábica brasileiro à lista de origens para entrega do contrato “C”.
Segundo o comunicado, o volume de arábica brasileiro tem crescido no mercado, sendo bem aceito pelos torrefadores. Por essa razão a ICE acredita que o momento seja adequado para rever a questão. Em nossa opinião, o café brasileiro já deveria estar na lista de origens aceitas em Nova Iorque. Apenas a pressão de interesses contrariados acabava por barrar propostas nesse sentido de algumas lideranças brasileiras.
A diferença é que agora a iniciativa parte da Ice Futures US. A crescente oferta de arábicas brasileiros de qualidade, com excelente aceitação pelo mercado comprador, que já percebeu a evolução do volume e qualidade de nossos arábicas, e o fato de só o Brasil ter condições de atender o crescimento previsto para o consumo mundial nos próximos dez anos, deverão se sobrepor aos interesses que até agora impediram a entrada do café brasileiro na bolsa de Nova Iorque.
O CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café Verde, informou que no último mês de abril foram embarcadas 2.254.483 de sacas de 60 kg de café, 10% (242.624 sacas) menos que no mesmo mês de 2009 e 15% (387.578 sacas) menos que no último mês de abril. Foram 1.962.120 sacas de café arábica e 18.574 sacas de café conillon, totalizando 1.980.694 sacas de café verde, que somadas a 268.951 sacas de solúvel e 4.838 sacas de torrado, totalizaram 2.254.483 sacas de café embarcadas.
Até o dia 6, os embarques de maio estavam em 200.755 sacas de arábica e 2.880 sacas de conillon, somando 203.635 sacas de café verde, mais 21.198 sacas de solúvel, contra 281.100 sacas no mesmo dia do mês anterior. Até o dia 6, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em maio totalizavam 427.069 sacas, contra 452.597 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 30, quinta-feira, até o fechamento de hoje, dia 7, caiu nos contratos para entrega em julho próximo, 140 pontos ou US$ 1,86 (R$ 3,44) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em julho próximo na ICE fecharam no dia 30, a R$ 310,88 e hoje, dia 7, a R$ 325,73/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em julho, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 70 pontos.
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CNC

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