MERCADO DE CAFÉ: ESFRIANDO O ÂNIMO DOS INVESTIDORES

Publicado em 17/05/2010 06:48 432 exibições
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting


A crise de confiança nos débitos soberanos não melhorou apesar do comprometimento dos países da zona do euro, que criaram um fundo de estabilização de 750 bilhões de euros, ou aproximadamente 1 trilhão de dólares.

O remédio amargo, e necessário, que é conter gastos e diminuir o déficit orçamentário de uma boa parte dos países membros, pode se traduzir em crescimento do PIB mais lento (ou negativo) que para economias como a Grega em nada melhorará a relação dívida/PIB (muito pelo contrário).

Os pessimistas de plantão voltam a falar do fim do Euro e expulsão de membros (que não é prevista nas regras originais). Também circularam rumores de que a França teria ameaçado rachar com a moeda única. 

Como o que o investidor menos gosta é incerteza, a moeda européia – compartilhada por 16 nações que tem muito em incomum – continuou escorregando e encerrou a semana no menor nível desde outubro de 2008 – um pouco depois da quebra do Lehman Brothers.

Na Ásia o índice de inflação da China foi lido como um sinal de alerta de que o país pode implementar medidas restritivas, o que também seria negativo para commodities.

O café em Nova Iorque mais uma vez tentou não se deixar influenciar com a turbulência dos mercados e o dólar firme, mas na sexta-feira não aguentou e acabou caindo, dois dias depois de ter falhado em romper a alta do dia 4 de maio.

A primeira onda de frio que chegou no “cinturão do café” deu impulso as cotações no começo da semana, mas como o risco de geada não existia, os especuladores voltaram a vender o mercado no final da semana juntamente com as origens.

Como a colheita no Brasil está a todo o vapor, o mercado físico começa a fluir melhor, e com isso o contrato “C” deve ficar limitado a fazer novas altas por algum temp, salvo alguns solavancos que normalmente toma quando há noites mais frias previstas.

Torradores que já não tinham incentivos para estender o nível de cobertura de futuros, por causa da safra grande brasileira, agora retraem ainda mais seus interesses de compra, principalmente os europeus que veem o poder de compra do Euro diminuir significantemente.

Por outro lado os prêmios (ou diferenciais) firmaram ainda mais durante a semana para os cafés suaves, principalmente o colombiano que está tendo uma safrinha (mitaca) decepcionante. Café de qualidade da safra remanescente no Brasil parece não mais existir, e os lotes novos de melhor qualidade negociam a preços bem mais altos do que os exportadores gostariam de estar pagando.

Os produtores no Brasil também se animaram com notícias que mencionaram um novo plano de opções para este ano, ou seja dealers e exportadores que estão vendidos no basis (diferencial) continuam tendo noites mal dormidas.

Para piorar o quadro atual, sazonalmente o mercado em Nova Iorque tende a cair a partir do final de maio, só voltando a recuperar no começo de agosto.

Com a manutenção do mesmo intervalo de negociação que estamos acompanhando desde o final de janeiro, as volatilidades implícitas caíram 2% na semana, depois de terem esboçado uma reação até a semana passada.

Parece que os preços continuarão caindo, provavelmente testando os US$ 130.00 centavos/libra e atraindo mais fundos para vender.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos.
Rodrigo Costa* 

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Fonte:
Archer Consulting

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1 comentário

  • lauriano rigatto itabela - BA

    bom dia!! temos muitas duvidas a respeito do mercado do café; sera que vamos vender café a 210;00 reais esse ano?

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