Está proposto o novo café do Paraná

Publicado em 31/05/2010 07:38 796 exibições
Produtores do Norte Pioneiro apostam nos grãos especiais que necessitam de manejo diferenciado, atendem consumidor mais exigente e geram melhor remuneração.
A cor cereja dá o tom na lavoura da Fazenda Califórnia, no Norte Pioneiro do Paraná, há mais de 100 anos. Pinta um espaço menor, atualmente, nem por isso menos importante, pelo contrário. Pretende resgatar o reconhecimento do Estado, um dia o maior produtor de café do mundo. Mas agora é diferente. Os grãos vermelhos que durante décadas chamaram a atenção pela quantidade, buscam atrair olhares e paladares pela qualidade. O que era volume, se transforma em especiaria. Produtores reiventam a cultura, reescrevem a história da cafeicultura. É o novo café do Paraná: mais especial, mais tecnificado, mais eficiente.

A Fazenda Califórnia, localizada em Jacarezinho, tem tradição cafeeira. Os primeiros pés de cafés foram instalados no local em 1903 por um grupo de mineiros e paulistas. Duas décadas depois, a propriedade passou para as mãos da companhia norte-americana Leon & Israel. A gestão nas décadas seguintes foi marcada pelo profissionalismo do grupo e se destacou mundialmente. Da época, para se ter uma ideia, ainda restam os registros contábeis trabalhistas, mapas originais das construções da fazenda, dos talhões de cafés, mapas pedológicos e de capacidade de uso de solo e demais objetos que demonstram o arrojo dos americanos e o potencial do lugar.

Em 2004, a Califórnia foi adquirida pela família Saldanha Rodrigues que decidiu aproveitar a experiência com a cultura e o empreendedorismo dos antigos proprietários e modernizar o processo para produzir um café diferenciado, conquistar novos mercados e alcançar melhor remuneração. ""Quando assumimos a fazenda fizemos um diagnóstico do local e da região. Percebemos que havia potencial. Buscamos dar continuidade à gestão profissional histórica, mas percebemos que o que mandaria dali para frente seria a eficiência e a escala de produção"", frisa Luiz Roberto Saldanha Rodrigues, diretor da Califórnia, elencando que o novo processo envolve questões dentro e fora da porteira e investimentos em qualidade, inovação, certificação de produção, gestão e infraestrutura.

Rodrigues não enfrenta sozinho o desafio de se produzir, no Paraná, um café com mais qualidade. A Fazenda Califórnia faz parte da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp), que reune hoje outros 102 produtores mas tem potencial para muito mais já que na região existem perto de 7,5 mil produtores do grão. ""Nossa missão é produzir e comercializar cafés especiais, com marca própria, de forma sustentável, para o mercado interno e externo"", afirma o presidente da Acenpp, Luiz Fernando de Andrade Leite.

Segundo ele, para integrar o grupo, o associado precisa produzir pelo menos 2% de café especial na sua propriedade. Alguns já somam 30% da produção, como ele e o Rodrigues . ""Estamos quebrando alguns paradigmas no setor cafeeiro do Estado"", enaltece Leite.

O café especial, acrescenta, tem uma metodologia diferenciada, mais valor agregado, rende mais ao produtor. Recentemente, por meio da associação, os produtores conseguiram comercializar 2 mil sacas do grão para entrega futura no valor de R$ 327 cada uma. O café tradicional varia de R$ 230 a R$ 240 a saca. ""É uma diferença muito significativa"", ressalta o presidente da entidade. Produtores da Acenpp, por sua vez, apostam no potencial de clima e solo da região para galgar novos degraus na atividade.

Além disso, investem tempo e dinheiro em tecnificação e manejo de plantio, colheita e secagem diferenciados. Talvez o Estado não retome a posição de destaque enquanto grande produtor, mas os associados da Acenpp acreditam que com o grão especial começam a escrever um novo capítulo da história do café no Paraná, com mais profissionalismo e mais associativismo.

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Fonte:
Folha de Londrina

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