Real atenua rali do café e consumo no Brasil superará previsão

Publicado em 05/11/2010 08:19
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O consumo de café no Brasil deverá fechar 2010 com um crescimento ante 2009 superior à expectativa no início do ano, impulsionado pela crescente renda da população, e com uma taxa de câmbio no país que atenua no mercado interno o rali dos preços internacionais, que atingiram nova máxima de 13 anos em Nova York nesta quinta-feira.

Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, a fraqueza do dólar frente ao real inibe um aumento maior da cotação do grão no mercado brasileiro na esteira da cotação externa, facilitando a vida dos consumidores.

"Maior renda da população, maior massa salarial, uma migração de consumidores de faixa de consumo menor para consumo maior... De fato a população está consumindo mais, e isso é coerente com o que estamos vendo no café", disse o executivo.

Segundo ele, o crescimento previsto no consumo de café no Brasil de 5 por cento em 2010 está sendo superado.

"Temos um acompanhamento mensal representativo de 60 indústrias de todos os portes... que aponta crescimento de 6 por cento no ano", declarou ele em entrevista à Reuters, observando que o setor também verifica um maior consumo de produtos de maior valor agregado por faixas sociais como a classe C.

Com esse aumento percentual na demanda interna se confirmando, que superaria os 4 por cento verificados em 2009 ante 2008, o segundo consumidor de café do mundo beberia em 2010 o equivalente a 19,5 milhões de sacas de 60 kg.

A alta no consumo interno no Brasil, que consumiu 18,4 milhões de sacas em 2009, colabora com o aperto nos estoques --reservas mais baixas globais estão por trás dos picos de preço em Nova York.

Herszkowicz disse que a oferta tende a ficar mais apertada no Brasil no primeiro semestre do ano que vem, uma vez que o maior produtor mundial terminou de colher a sua safra de ciclo alta de produção do arábica estimada em cerca de 47 milhões de sacas há alguns meses.  

Mas ele rejeita a tese de que vai faltar café para a exportação do país, o principal exportador mundial, diante do crescimento do consumo interno e de exportações em níveis elevados, de cerca de 30 milhões de sacas por ano.

"Pelo passado recente, não preocupa, a produção vai se ajustando. O que preocuparia seria se a cafeicultura não tivesse conseguido recuperar preços, aí teria um quadro de redução de produtividade, de abandono, que com esses novos patamares de preços não terá", declarou.

No mercado interno, os preços do café arábica estão atualmente cerca de 20 por cento mais altos ante o mesmo período do ano passado (base Cepea), enquanto em Nova York a alta é de 50 por cento (contrato spot).

PARADOXO DO CÂMBIO

A queda do dólar frente ao real, que também poderia favorecer a indústria de café, cujo custo da matéria-prima representa 65 por cento das despesas totais, tem evitado uma recuperação da rentabilidade do setor, com vendas para o varejo, segundo Herszkowicz, em patamares de preços não muito diferentes dos praticados nos últimos cinco anos.

"A resposta da indústria parece paradoxal, mas não é... A desvalorização do dólar, que provoca inibição do aumento do preço em reais, acaba sendo um problema para a indústria, porque impede a recuperação da rentabilidade, via ajuste de preços. A indústria não pode continuar vendendo o produto pelo mesmo preço de cinco anos atrás", afirmou.

Além do custo da matéria-prima, acrescentou o executivo, as empresas convivem com uma carga tributária maior e com maiores gastos com mão-de-obra que estão afetando a rentabilidade do segmento.
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Fonte: Reuters

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