Cafeicultor antecipa quitação de dívida

Publicado em 14/03/2011 07:37 234 exibições
Em clima de pleno otimismo com o cenário futuro, os produtores de café têm aproveitado a alta histórica das cotações internacionais da commodity para quitar suas dívidas. A estratégia, incomum e até aqui inédita no setor, ajuda os cafeicultores a abrir novos limites de crédito bancário e a reduzir encargos financeiros dos empréstimos. O mais comum no segmento eram prorrogações e rolagens de dívidas somadas a novos pedidos de socorro e repactuação.

O Ministério da Agricultura contabiliza R$ 311 milhões em pagamentos antecipados ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) desde janeiro de 2010, quando os preços do café começaram o forte rally de alta na bolsa de Londres e Nova York. O volume de débitos quitados antes do prazo de vencimento equivale a quase 10% dos reembolsos de R$ 3,2 bilhões previstos até fevereiro de 2011.

Os cafeicultores confirmam a tendência. "O produtor paga porque é um dinheiro barato (6,75% ao ano). E ele também abre limite no banco", diz o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes. Diretor financeiro da União Cooperativa Agropecuarista Sul de Minas (Unicoop), Ximenes ressalva que "não está sobrando dinheiro" e afirma que a maior parte dos produtores deixou de aproveitar o momento excepcional dos preços por ter vendido o produto antes da maior alta desde 1977. "Os estoques na mão de cooperativas é baixo. Na média, hoje, chega a 30% da produção total", diz.

A valorização do café soma 106% sobre o preço mínimo oficial e 94% sobre o índice medido pelo Cepea/Esalq na comparação entre os meses de março de 2010 e 2011. "De modo geral, como o cafeicultor está mais capitalizado, consegue liquidar antecipadamente seus financiamentos", afirma o ministro Wagner Rossi.

O movimento dos cafeicultores também ajuda a engordar o caixa dos bancos operadores do Funcafé. São eles quem repassam o dinheiro do fundo aos produtores. E cobram um "spread" (diferença entre custos de captação e empréstimo) de 4,5% ao ano em cada transação. O Banco do Brasil já detectou um volume maior de quitações antecipadas. E os bancos privados, como Bradesco, Itaú BBA e Santander, além do cooperativo Bancoob, também foram beneficiados. Em uma conta simples, os bancos operadores embolsaram R$ 144 milhões em "spreads" das antecipações nesse período. Por outro lado, perderam em encargos "economizados" pelos produtores nas linhas de custeio, colheita, estocagem e aquisição pela indústria (FAC), além dos créditos especiais para recuperação de lavouras atingidas por granizo, refinanciamento de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e linhas especiais de financiamento.

O governo comemora a tendência e projeta uma elevação nos pagamentos antecipados em razão do cenário internacional favorável para 2011. "Pelo cenário de preços e rentabilidade, deve aumentar essa antecipação", diz o diretor substituto do Departamento do Café, Thiago Masson. Entre as justificativas para o bom momento estão a quebra da produção na América Central, Colômbia e Vietnã. Isso reduziu a oferta mundial de café, "pulverizou" os estoques em mãos de países consumidores e provocou um aumento nos preços.

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Fonte:
Valor Econômico

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