Café: Insegurança econômica e impasse político nos EUA pressionaram cotações (Escritório Carvalhaes)

Publicado em 29/07/2011 17:46 e atualizado em 30/07/2011 06:59 919 exibições
A insegurança econômica no mundo diante do impasse político nos EUA em torno da elevação do teto da dívida americana continuou pesando sobre as cotações dos produtos agrícolas em todas as bolsas de futuro. Muitos investidores saíram de ativos considerados mais arriscados, derrubando as cotações de matérias primas e produtos agrícolas.

O prazo para que os parlamentares americanos cheguem a um acordo expira na próxima terça-feira, dia 2, e ainda hoje o Congresso dos Estados Unidos mostra-se dividido e incapaz de aprovar um plano de consenso para aumentar o teto da dívida pública.

Sobre o impasse político nos EUA em torno da elevação do teto da dívida americana e o pensamento da China, maior detentora de ativos financeiros americanos, recomendamos a leitura no jornal O Estado de São Paulo de hoje do artigo “Leiam os lábios da China” (pág. B7).

Com mais recuo nas cotações do café nas bolsas de futuro, o mercado físico brasileiro de café se retraiu e foram esporádicos os negócios fechados. Só vendeu quem precisou de dinheiro rápido para fazer frente às despesas de colheita e de final de mês. Os cafeicultores em sua maioria estão com as atenções voltadas para os trabalhos de colheita e benefício, começando a entregar lotes vendidos antecipadamente, no final do ano passado e no início deste ano.

Se do lado da economia as incertezas são muitas, nos fundamentos as informações que chegam apontam para um quadro de solidez, apesar de algumas análises que insistem em enxergar normalização da situação a partir de uma grande florada no Brasil em setembro.

Os estoques de café certificado na ICE Futures US em Nova Iorque continuam em queda acentuada e uma fonte do governo da Etiópia informou que a produção de café do país deve cair 60% em 20011/2012, para aproximadamente 4,5 milhões de sacas, cerca de 3milhões abaixo das 7,5 milhões de sacas produzidas no ano-safra 2010/2011. No início deste mês de julho a OIC – Organização Internacional do Café já havia informado que a produção africana de café recuará 18% em 2001/2012, de 17,5 milhões de sacas para 14,4 milhões, principalmente em razão dos problemas na Etiópia (informações da agência Estado).

O lucro da Starbucks, companhia americana de café, cresceu 34% no último trimestre, enquanto a empresa se prepara para que a China se torne seu maior mercado fora dos EUA, acompanhando uma tendência de maior crescimento do consumo de café nos países em desenvolvimento e nos produtores de café. No Brasil, segundo maior consumidor de café do mundo e onde mais cresce o consumo, uma pesquisa do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontou o café como o alimento mais consumido pelo brasileiro, liderando o ranking da média de consumo diário per capita de itens avaliados pelo IBGE. O instituto ouviu 34 mil pessoas entre 2008 e 2009 para o primeiro estudo de abrangência nacional sobre consumo individual de alimentos. Foram considerados produtos ingeridos dentro e fora de casa.

Até o dia 28, os embarques de julho estavam em 1.292.988 sacas de café arábica, 230.397 sacas de café conillon, somando 1.523.385 sacas de café verde, mais 223.885 sacas de solúvel, contra 1.413.289 sacas no mesmo dia de junho. Até o dia 28, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 2.130.6800 sacas, contra 2.230.210 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 22, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 29, caiu nos contratos para entrega em setembro próximo, 195 pontos ou US$ 2,57 (R$ 3,99) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 22 a R$ 495,48/saca e hoje, dia 29, a R$ 492,11/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 90 pontos.

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Escritório Carvalhaes

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