Após inverno rigoroso, falta de chuva afeta cafezais no Brasil

Publicado em 26/09/2011 18:08 366 exibições
As chuvas de primavera previstas para os próximos dias nas principais regiões de café do Brasil chegarão em baixos e insuficientes volumes para estimular floradas, e agrônomos consideram que a estiagem após um ano de frio intenso reduz o potencial produtivo das lavouras para a próxima safra (2012/13).
 
A demora para a chegada das chuvas nesta época é uma preocupação para os produtores, mas neste ano os temores são maiores porque os pés de café estão debilitados pelas baixas temperaturas deste inverno, que causaram até geadas em algumas áreas, disseram à Reuters agrônomos de três cooperativas de importantes regiões produtoras de café arábica.
 
'Este ano é um pouco diferente porque tivemos um inverno muito rigoroso e já são vários meses sem chuva, a umidade relativa do ar está muito baixa... então isso agrava mais as condições das lavouras', disse o gerente do Departamento Técnico da Cooxupé, Joaquim Goulart.
 
A Cooxupé, maior cooperativa de café do Brasil, situada no Sul de Minas, recebe por ano volumes equivalentes a mais de 10 por cento da safra de arábica do maior produtor mundial de café -- em 2011/12 o Brasil produziu 43,15 milhões de sacas, sendo 31,9 milhões de sacas de arábica.
 
'O potencial (da próxima safra) está comprometido, mas não temos como avaliar esse impacto. Tem lavoura que sofreu geada, que vai ter uma quebra, mas isso só em dezembro teremos condição de analisar melhor', disse.
 
O Brasil encerrou a colheita de uma safra de baixa no ciclo bianual do arábica, e chuvas são fundamentais para que em 2012/13, um período de alta na produção, o Brasil possa colaborar para reabastecer um mercado global que sofre uma escassez, especialmente do grão de alta qualidade.
 
'Estamos saindo de uma colheita... a condição climática para a colheita foi boa porque não teve chuva, mas para a planta não é a condição ideal.'
 
Segundo a Somar Meteorologia, as áreas de café de Minas Gerais e São Paulo, que respondem por quase 60 por cento da produção do arábica no país, recebem historicamente até 100 milímetros de chuvas em setembro, mas neste mês praticamente ainda não choveu nos cafezais.
 
A situação é semelhante a 2008, um ano de La Niña, fenômeno que normalmente atrasa a chegada das chuvas, e bem diferente do verificado no ano passado, quando ainda sob influência do El Niño, chuvas de 50 a 100 milímetros foram verificadas na região, segundo a Somar.
 
'Os mapas mostram uma semelhança com 2008. Lembro que 2009 e parte de 2010 tiveram influência do El Niño... A primavera começou... Uma frente fria chega à região, mas traz chuvas rápidas e de baixa intensidade no final de semana', disse a meteorologista da Somar Olívia Nunes, estimando um volume de chuva para o Sul de Minas de no máximo 5 milímetros.
 
Depois, não há previsão de precipitação até o dia 27.
 
Mais chuvas necessárias – Segundo agrônomos, para que os cafezais apresentem uma boa florada, são necessárias chuvas mais volumosas. 'Precisa ter pelo menos de 30 a 40 milímetros de chuva para abrir a florada', afirmou o gerente técnico da Cooparaiso, Marcelo Moura Almeida, em São Sebastião do Paraíso, cuja cooperativa recebe aproximadamente 1 milhão de sacas por ano.
 
'As lavouras estão bem abotoadas para abrir flores, mas está faltando chuva', acrescentou Almeida, lembrando que muitos cafezais perderam folhas dos ponteiros por causa do frio intenso.
 
O agrônomo também disse acreditar que parte dos cafezais está com o potencial prejudicado, por causa do frio e também devido à estiagem', especialmente aquelas lavouras localizadas em terrenos mais arenosos.
 
Roberto Maegawa, coordenador do Departamento Técnico da Cocapec, de Franca (SP), na Alta Mogiana, também vê redução no potencial produtivo. 'Lavouras com potencial para 80 sacas, já vai dar 60, visualmente, mas é muito cedo para falar', declarou ele, ponderando que novos cafezais, com sistemas radiculares menos profundos, sofrem mais.
 
A Cocapec costuma receber cerca de 1 milhão de sacas por ano.
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Fonte:
Reuters

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