Colômbia busca recuperar a produção de café com renda

Publicado em 20/10/2011 16:06 513 exibições
O diretor técnico da Federação de Cafeicultores da Colômbia, Ricardo Villaveces, deu uma entrevista exclusiva à Revista do Café nos bastidores do VI Seminário Internacional do Café, no Rio de Janeiro.

Nesta entrevista, Villaveces deu uma informação preciosa: o cafeicultor colombiano apenas obtém uma renda familiar que lhe proporciona aceitável qualidade de vida se possuir três hectares de café. Nem menos nem mais que isso.

Com menos, terá problemas graves de renda, dificilmente seus filhos continuarão na atividade, e poderá haver abandono da lavoura na primeira crise, como parece ter sido o que ocorreu, em parte nos últimos anos.

Com mais, terá que contratar gente, agregando despesas trabalhistas, administrativas e burocráticas que também lhe dificultarão manter custos compatíveis com sua receita.

Esse problema (ou esse "fato", como disse Villaveces) constitui, portanto, um dos mais graves entraves à sustentabilidade da cafeicultura colombiana, cuja área média de café plantado nas propriedades é de 1,6 hectares.

Revista Café: Em sua palestra, você falou que a meta da Federaión é elevar a produção cafeeira da Colômbia nos próximos anos para cerca de 18 milhões de sacas. Qual a viabilidade concreta desse objetivo?

Ricardo Villaveces: Claro que não vamos crescer se não houver mercado, e não vamos crescer se os preços não forem viáveis. Então tudo vai depender de como evoluem os preços e o mercado.

Mas se essas condições se dão, cremos que é uma meta factível. O incremento na área não precisa ser tão grande. É fundamentalmente uma renovação por cafeeiros mais jovens. E um aumento da densidade por área. Não é nada impossível.

Revista Café: A cafeicultura colombiana tem 553 mil produtores, contra 287 mil produtores no Brasil. Essa característica microfundio nao traz problemas de sustentabilidade ao cafeicultor?

Ricardo Villaveces: É mais que um problema, é um fato. Sim, o cafeicultor colombiano trabalha em áreas muito pequenas, em condições difíceis. Mas o que pensamos é que se essas pessoas conseguirem ter uma lavoura jovem, tecnificada, bem manejada, podem ter uma receita que lhes tornem a atividade viável, com uma renda familiar e pessoal satisfatórias.

Por isso, estamos empenhados em dar muita importância aos cafés de boa qualidade. Sustentáveis, especiais, diferenciados. Porque nessas situações, os prêmios que se obtém são significativos.

Revista Café: Durante sua palestra, o moderador Francisco Ourique falou nas similitudes entre a cafeicultura brasileira e colombiana, ambas dominadas por pequenos cafeicultores. Mas o que se chama de pequeno no Brasil muitas vezes é um grande na Colômbia. As proporções são muito diferentes. Há algum estado na Federación que indica um tamanho mínimo recomendável ao cafeicultor para que sua atividade seja viável economicamente?

Ricardo Villaveces: Sim, depende da região, depende das características. Mas se pode pensar que uma pessoa que tenha três hectares de café bem manejados pode ter uma vida familiar razoável, atender suas necessidades, e viver em condições aceitáveis. Três hectares é pouco mas às vezes é bastante porque é um tamanho que ainda lhe permite trabalhar familiarmente. Se cresce além disso, teria que contratar gente e aí as coisas se tornariam diferentes.

Revista Café: Mas a grande maioria dos produtores colombianos tem menos de três hectares...

Ricardo Villaveces: Sim, hoje a área média no país, de café plantado, é de 1,6 hectares. Isso é média. Obviamente  há muitas pessoas que tem mais de três hectares. E normalmente entre esses pequenos que tem 1,6 ha ou menos, isso é o que possuem em área de café, mas o tamanho médio de suas propriedade é de 4 hectares.

Revista Café: O custo de produção na Colômbia durante os últimos anos manteve-se em níveis bem mais altos do que os do Brasil. Com todas essa renovações, conseguiu-se baixas um pouco esse custo em relação a seus concorrentes?

Ricardo Villaveces: Sim, eu acho que conseguiu baixar. Mas ainda é uma tarefa por fazer e temos que prosseguir avançando nisso. À medida que vamos plantando variedades mais eficientes, mais produtivas, e aproveitando melhor as áreas disponíveis, os custos por hectare caíram e vão continuar caindo.

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Revista Café

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